Um lugar: Museu da Medicina | Jornal Plural
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20 fev 2019 - 0h00

Um lugar: Museu da Medicina

Bia Moraes conta como é o Museu da Medicina, lugar para uma experiência única em Curitiba.

Encontrar o elevador mais antigo de Curitiba já é uma surpresa e tanto. Já faz valer a visita ao recém inaugurado Museu da Medicina, na Santa Casa de Curitiba. Porém, ainda saber que ele era operado por mulheres – que no muque faziam a engrenagem subir e descer, com pesos, contrapesos e roldanas gigantescas, para transportar de um andar a outro um paciente numa maca – é mais do que surpreendente. É de tirar o fôlego.

O elevador, que estava escondido há muitas décadas atrás de uma parede, não é a única coisa que faz as pessoas emitirem “ooohhhs” e “aaahhhhs” durante a visita guiada ao museu.

Daniela Pereira da Silva, estudante de História que conduz os grupos, escolhe a dedo passagens da história da Santa Casa de Curitiba, uma edificação de quase 140 anos que guarda segredos e narrativas que poderiam compor um filme.

Ela faz questão, por exemplo, de destacar a história das irmãs de Chambery, as freiras que vieram da França ao Brasil colonial para ajudar da formação da Santa Casa.

Que mulheres! Além de serem enfermeiras (e operarem o elevador), elas cozinhavam, plantavam, criavam galinhas, limpavam e faziam tudo mais que fosse preciso para a Santa Casa funcionar.

As engrenagens do mais antigo elevador de Curitiba. Foto: Vicente Moraes.

Isso numa Curitiba onde o local do hospital – a praça Rui Barbosa – era um descampado longe do “centrinho” da cidade. A Catedral era considerada distante, tanto que o terreno foi escolhido, na época, por ser um local tranquilo.

A descoberta do elevador e muitas outras coisas foram se revelando durante a reforma, conduzida pelo arquiteto Claudio Maiolino, especializado em patrimônio histórico.

A equipe deixou algumas partes sem acabamento para mostrar como eram, originalmente, as paredes e as placas que nomeavam as alas do hospital. Portas, janelas e pisos originais foram restaurados.

Imponente, a escadaria de mármore dá boas-vindas aos visitantes.
Foto: Vicente Moraes.

A escadaria de mármore rosa do Santa Casa é uma joia à parte. Depois de subi-la, mais uma surpresa: um vitral desenhado por Poty e executado por Alfredo Lenzi. Dá vontade de aplaudir.

Poty também está presente no museu. Foto: Vicente Moraes.

Mas além disso tudo, a grande atração do Museu da Medicina é o acervo. São 1.050 peças de todos os tipos, que nos levam a uma viagem do tempo.

A sala dedicada à farmácia é de enlouquecer. Vidros, frascos e embalagens de todos os tipos e tamanhos, contendo elixires, xaropes, essências e venenos, estão cuidadosamente guardados em armários imensos e igualmente antigos.

Uma gaveta revela instrumentos para cirurgia nos ossos. Foto: Vicente Moraes.

Ainda há máquinas, engenhocas, ferramentas e aparelhos dos mais diversos. Um aparelho de eletroencefalograma dos anos 40 ocupa um espaço inacreditável.

Um dos armários que guarda frascos de elixires e remédios. Foto: Vicente Moraes.

Macas, equipamentos cirúrgicos, aventais e todo o aparato utilizado na Santa Casa compõem um acervo que ainda tem muitas peças não reveladas para o público.

Grande parte do acervo vem sendo coletada há 40 anos pelo médico Ehrenfried Wittig. Ele sonhava com a instalação do museu há meio século. Vivo, o doutor Wittig compareceu à inauguração, há quatro semanas, e ganhou um painel com o seu nome.

Um eletroencefalograma (à dir.) junto a outros aparelhos antigos. Foto: Vicente Moraes.

Tem muito mais para ver e descobrir no Museu da Medicina. Uma pista: Dom Pedro II foi convidado especial da inauguração da Santa Casa em 1880.

Para agendar sua visita, mande um e-mail para [email protected], ou telefone para 3220 3502. A entrada é gratuita. Todo o restauro e a organização do museu foram feitos com recursos obtidos através da Lei Rouanet.

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