Lado B: Um Lugar: Porto e Vale do Rodo | Plural
10 set 2019 - 23h23

Lado B: Um Lugar: Porto e Vale do Rodo

Leia a terceira e última parte de dicas sobre Portugal

Portugal é tudo que você ouviu falar de bom, e ainda mais. Então, aqui vai a terceira parte da coluna, dessa vez, para encerrar o ciclo português, sobre a cidade de Porto e o incrível Vale do Rodo.

Leia as duas primeiras partes da coluna aqui e aqui.

Em Porto, não deixe de conhecer a Confeitaria Guarany. É antiga, mas nem tanto se comparada a outros imóveis históricos – foi fundada no início do século passado. Mas é um charme. Não é frequentada por turistas e nos serviu para “almoçar”, ou seja, fazer um lanche para, mais tarde, jantar uma bela refeição. A decoração é original e homenageia os nossos indígenas, como eram vistos na época.

Confeitaria Guanany. Foto: Bia Moraes.

Como nós tínhamos alugado um carro, depois do passeio de barco (que eu já indiquei na coluna anterior), rodamos pela cidade. A pé, como eu também falei aqui, tem muita coisa para ver à beira do Rio Douro, no centrinho da cidade. Tem até a Rua das Flores deles – a rua Santa Catarina – só que com boas marcas e grifes.

De carro, fomos até o Oceano Atlântico, seguindo pela beira-mar. Não é turístico, mas é lindo. Tem praias com muretas antigas, passeios com bancos e árvores à beira-mar, é um bairro cheio de restaurantes e casas maravilhosas, que parecem ter construídas nos anos 30, 40 e 50 do século passado. Até um hotel, no ponto em que o Douro encontra o mar.

Hotel à beira-mar no Porto. Foto: Bia Moraes.

Eu me esbaldei, também, tirando fotos do comércio de Porto. As placas são todas de época. Uma viagem no tempo.

Comércio de rua. Foto: Bia Moraes.

De Porto, fomos até uma cidade chamada Peso da Régua. Dá umas três horas de estrada. Mas vale a pena. Fica no Vale do Rodo, onde se produzem os vinhos do Porto. Hein? Como assim??

Pois é. Em Porto, você vai ver muitas vinícolas, inclusive algumas que oferecem passeio, degustação e, claro, compras. Na verdade, ali se faz o armazenamento e às vezes, envelhecimento dos vinhos. De Porto, eles saem para o mundo. É no Vale do Rodo que os vinhos são feitos. Ali passa o rio Douro. Antigamente, os vinhos eram levados de barco até Porto, daí vem o nome dos vinhos.

Paisagens pelo caminho. Foto: Bia Moraes.

Depois de sair da via expressa, o caminho se torna maravilhoso. Indescritível. Passamos por pontes, estações de trem, armazéns, casas e vilarejos tão antigos que não saberia dizer de quando são. Muitos abandonados, outros funcionando e com gente morando. Isso tudo numa serrinha cheia de voltas e reviravoltas. Até que você vê o Douro. E várias casas, antigas e novas, cada uma com seu parreiral e oliveiras. Parece um sonho.

Chegando em Peso da Régua, visitamos uma vinícola. Chama-se Porto Reccua. Ali tem um salão-museu, com várias peças que se usavam para produzir o vinho. Também tem um pequeno auditório onde se passa um filme com, claro, a história dos vinhos do Porto. 

Fizemos uma degustação e, lógico, compramos alguns vinhos. Que sabor. Que vinhos!! E lá não custaram caro – em média, os que nós escolhemos custam 25 euros cada.

Vinícola em Peso da Régua. Foto: Bia Moraes.

Finalizando a nossa viagem a Portugal, dormimos numa cidade chamada Condeixa-a-Nova (porque tem uma Condeixa velha). Não se engane pelo nome – é antiga pra dedéu! Nos perdemos por lá, passeando por ruas, vielas, estradas e sei-lá-mais-o-quê , tudo tão antigo e pitoresco, onde as pessoas parece que foram congeladas… 

Uma hora, demos numas vielas intrincadas, num vilarejo que nem sei o nome, e realmente nos perdemos. Paramos num armazém de secos e molhados. Estava fazendo um calor de 35 graus e o sol ardendo. A princípio não conseguimos enxergar o interior do lugar. Pé direito alto, paredes grossas… Lá dentro me pareceu tão fresco! E era, realmente. 

Museu em vinícola: vinhos bons e não muito caros. Foto: Bia Moraes.

Apareceu um homem. Idade indefinida: tanto podia ter 30 e poucos anos, como 50. Suado, carregando caixas. Perguntamos para ele como sair dali e pegar a estradinha. Ele respondeu num português tão, mas tão, de Portugal, que foi difícil entender. 

Enquanto ele falava, eu apertei os olhos e consegui ver: lá dentro, uma senhora, bem portuguesa, de lenço na cabeça e saia comprida, separava umas vagens dentro de um cesto grande. Incrível. De novo: parecia que eu estava sonhando.

Esse foi o nosso último dia em Portugal. Nessa viagem. Esperamos voltar, e passar ainda mais dias lá!

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