Lado B apresenta: Lisboa | Jornal Plural
Clube Kotter
31 jul 2019 - 0h09

Lado B apresenta: Lisboa

A capital portuguesa é tudo que você ouviu falar de bom, e ainda mais

Muitos brasileiros têm ido para Portugal para morar, e milhares de outros, para fazer turismo. Então, aproveitando a viagem recente que meu marido e eu fizemos para a capital do país, e mais algumas cidades, a Lado B de hoje é sobre Lisboa.

É impossível falar de Lisboa sem citar os lugares turísticos? Sim e não. Eu optei por discorrer sobre alguns locais que nós fomos, alguns bem turísticos, outros não.

Em primeiro lugar, a opção por Lisboa foi motivada por um show do The Cure. Nós adoramos a banda, e vimos o show deles em São Paulo em 2013. Com a tour anunciada para festivais no verão europeu, este ano, escolhemos Lisboa porque não conhecíamos; por causa da língua; pelo tempo de viagem, cerca de 9 horas; e, enfim, porque é a “terrinha”, origem dos nossos antepassados.

Vista do hotel.

Chegamos lá na terça-feira, dia 9/7, às 11h30 de lá (7h30 pra nós). A menina do Booking.com que nos aguardava no aeroporto é de Joinville! Ela está morando em Lisboa há três meses, para fazer faculdade. Já o motorista que nos apanhou é um senhor que fala sem parar.

Aliás, aqui vai a…

Dica número 1: os lisboetas, quando falam com nós, brasileiros, dá para entender superbem. Já quando eles conversam entre eles, desista: não se entende nada. É preciso algum tempo de Portugal para chegar lá.

Outra coisa é que, apesar de aparecerem casos na internet contando o contrário, todo os lisboetas que cruzamos nos disseram que adoram os brasileiros. Amam, mesmo. 

Dica número 2: usei o app Booking.com para escolher hotel e tudo correu otimamente. Também usei para marcar o motorista que nos buscou no aeroporto. Mais uma vez, ok.

Não recomendo, porém, usar o app para fazer passeios. Nas duas vezes que utilizei o Booking, deu errado. Não por culpa do app, mas sim, devido à lógica lusitana – volta e meia você vai deparar com ela.

Chegando no hotel, depois de acomodados e descansados, fomos a pé até a Pastelaria Copelia, que fica em frente ao hotel.

Pastelaria Copelia.

Lugar super simpático, os donos atendendo; pequeno, e tudo muito gostoso: salada de frutas, bem diferente da nossa; tostada com azeite e ovos mexidos; sumo (não suco!) de laranja, maçã e cenoura, e limonada com hortelã e abacaxi, feitos lá mesmo; tostada com queijo e presunto; café com leite e pastel de Belém.

Dica número 3: Pastelaria, lá, não é de pastéis. Só tem o famoso pastel de Belém, que é um doce frito, com várias camadas de massa fininha, e um recheio de nata, delicioso. Então, Pastelaria seria um equivalente da nossa padaria, só que sem o pão. Uma mistura de confeitaria, lanchonete e padaria. Deu para entender?

O bairro do nosso hotel chama Anjos. Ou Martim Moniz; fica no limite. Martim Moniz é uma praça, na verdade.

O bairro não sofreu gentrificação; tem coisas modernas misturadas com velharias, predinhos antigos, uns reformados e outros não; tudo com sótão; comércio local e modesto. Muito legal.

Adotamos o Copelia para “almoçar” todo dia. Foi um belo achado. 

Dica número 4: Lisboa já foi uma cidade barata. De cinco anos para cá, não é mais. Depois que foi indicada como a capital europeia mais “cool”, uma horda de turistas – principalmente europeus e asiáticos – chegou, e tudo encareceu. Mas, a Lisboa dos locais existe. Meu conselho é: tome um bom café da manhã no hotel. “Almoce” numa pastelaria frequentada pelos locais. Você vai encontrar um lugar bom e barato como a Copelia. E deixe para gastar seus euros no jantar.

O Chiado à noite.

Nesse primeiro dia, fomos jantar no Chiado. É um bairro antigo, cheio de prédios beeeem antigos -alguns históricos como a Santa Casa e um convento transformado em cervejaria  – e de coisas modernas; moçada, pubs, bares e restaurantes. Bacana.

Escolhemos “no olho” um restaurante simples chamado Papo Cheio; existe ali desde muito antes de o bairro virar hype. Mais uma vez, os donos atendendo. Além de nós dois, mais uma mesa com três jovens lisboetas e outra, com dois mineiros que moram lá. Todo mundo conhecido dos donos.

Comi uma “dourada” (peixe) grelhada inteira com batatas cozidas e uma salada, e meu marido foi de bife com um molho maravilhoso e batatas fritas, cortadas em fatias grossas.

Bebemos sangria de “tinta” e comemos duas sobremesas de arrasar, feitas à base de ovos.

Daí o Vicente perguntou: – tem cafezinho? O dono respondeu: – tem. 

A gente tava comendo a sobremesa. E, claro, não veio café nenhum. 

Depois de dez minutos o Vice PEDIU: – o sr. poderia, por favor, trazer dois cafezinhos?

Aí, sim. Vieram os cafés.

No dia seguinte, saímos a pé (eu, de cadeira de rodas).

Dica número 5: se prepare para subir e descer várias vezes. Lisboa é plana só à beira do Tejo e do Oceano Atlantico. De resto, é ladeira atrás de ladeira. E as calçadas e ruas não são nem um pouco acessíveis. Aliás, acessibilidade é uma coisa que aparece só de vez em quando.

Na rua que desce para a praça Martim Moniz, que chama São Lazaro, tem um monte de lojinhas antigas, que ficam em uns predinhos também antigos, que vendem “têxteis para o lar” e lingeries. Chamam de revendas. É muito legal. As vitrines são ainda de antigamente, na forma de expor. Dentro, balcões, roupas expostas em cabideiros e muito letreiro escrito à mão, em papéis ou cartolinas.

Loja de molduras e espelhos.

E tem uma loja de 1800 e tanto que vende molduras e espelhos. Linda.

A praça Martim Moniz tem esse nome porque, na época os mouros invadiram a Península Ibérica, construiram sete castelos em Lisboa. Um se chama Castelo de São Jorge, e fica bem no alto, perto da praça.

Os portugueses estavam lutando pra conquistar esses castelos – isso, em 1200 e tanto. (Eles lutaram até conquistar todos os sete). Um dia, os mouros deixaram o portão de São Jorge aberto, e as tropas portuguesas viram uma oportunidade de invadir. Foi então que o Martim Moniz se colocou à frente do portão para impedir que os mouros o fechassem.

Ele foi golpeado, e a cabeça dele rolou morro abaixo. Graças a ele, os portugueses conseguiram entrar e conquistar o Castelo de São Jorge.

A incrível loja do Bruno, no Rossio.

Depois, encontraram a cabeça dele onde hoje é a praça, que recebeu o nome do herói português.

Então, rodamos pela praça e arredores. Paramos numa minilojinha que vende livros usados e uma tranqueirada que não dá nem pra dizer tudo que tem ali. Conversamos com o dono, que se chama Bruno.

Dica número 6: sempre que tiver oportunidade, e puder, converse com os lisboetas. Além de adorarem os brasileiros, eles são gentis e apreciam uma boa conversa. Lógico que tem os portugueses mais velhos e ranzinzas. Mas, juro, são minoria.

Igreja de São Domingos.

Já no bairro Rossio, vimos uma igreja cuja fachada é imensa, mas não ocupa tanto espaço: é mais alta do que larga. Entramos. O que vimos ali é indescritível. Não tem foto nem palavras que expliquem o sentimento. Percorremos toda a Igreja de São Domingos sem fôlego. Paredes bem altas e grossas, feitas de pedra. O chão também, vários tipos de pedra. É de tempos imemoriais. Eu pus a mão na parede e senti cada veio, cada corte, cada reentrância. Chorei.

Ficamos lá por meia hora. Depois, ficamos sabendo que a igreja foi construída em 1250, e sofreu um baita incêndio em 1959. Por isso, a pedra e as colunas têm várias rachaduras. O teto foi todinho reconstruído.

Dali partimos para um lugar que SÓ VENDE GINJINHA. Isso mesmo. Só vende essa bebida, que é feita de ginja fermentada.

Tá, o que é ginja?

É uma frutinha que parece uma azeitona, ou uma cereja. É plantada em Óbidos. A bebida é vermelho escura, doce, e é bastante alcoólica. Tomamos uma dose cada um. Por mim, bebia três. Ah! É digestiva, também.

Mas o que é Ginjinha?

Dica número 7: vá nessa loja, beba ginjinha e compre uma garrafa, ou duas. Garanto que não vai se arrepender. Depois, no free-shop, compre garrafinhas pra trazer de presente.

Depois de levemente alcoolizados, fomos conhecer mais arredores, vimos lojas, praças, restaurantes e pastelarias, até chegarmos ao Elevador da Baixa, que leva até o Chiado.

E de repente, Vicente encontrou a Nadia, uma rapariga que dirige tuk-tuk. Ele tinha a conhecido de manhã e conversado com ela. Baita intuição! Ela apareceu na hora certa! Eu já tava cansada e precisando ir no banheiro…

Por dez euros ela nos levou de volta pro hotel e ainda deu uma rodada por ruas e lugares interessantes. Ela que nos explicou sobre Martim Moniz, e também sobre “alfacinha”, que significa lisboeta!

Continua na próxima Lado B!

Últimas Notícias