14 jul 2021 - 8h45

Esse ano morri, mas ano que vem eu não morro

O noticiário é o fundo do poço e nele há um alçapão que dá acesso a um túnel sem luz – afinal, a conta de luz está muito cara e deixaram de pagar

No presente momento posso me considerar um sujeito de sorte.

Porque apesar do desvio de verbas para a compra das vacinas, até o presente momento, eu ainda tenho conseguido escapar da morte.

Tenho pensado aqui comigo que a crise é brasileira. Crise econômica, crise democrática, crise estética.

O noticiário é o fundo do poço e nele há um alçapão que dá acesso a um túnel sem luz – afinal, a conta de luz está muito cara e deixaram de pagar.

Assim, ainda não posso sofrer desse ano. Não posso ser o resultado agrupado de todo esse processo. Não é justo porque não fui eu. Não fiz nem a escalação dos piores ministros da história, nem espalhei fake news.

Se for para sofrer que seja de amor, não de Brasil.

Sinto culpa de não estar fazendo nada, mas devolvi troco da padaria, desejei bom dia ao porteiro, separei o lixo. Isso é mais que um ministro da economia tem feito pelo Brasil.

Como brasileiro tenho passado raiva, cachorro até tem dó de mim, mas não perdi em acompanhar horrorizado a CPI.

Essa raiva é a coisa mais real que tenho sentido atualmente. Raiva de ver um grande país ter ficado tão pequeno.

Mas eu não posso me afetar, pois se tive raiva, também amei demais. 

Preciso me manter vivo para tomar a vacina e unir os camaradas progressistas no boteco. Ano que vem temos que nos juntar para o Brasil dar pé e fazer poesia.

Esse ano morri, mas ano que vem eu não morro.

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

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