Um dia/noite pra nunca esquecer | Jornal Plural
Clube Kotter
1 jul 2020 - 22h17

Um dia/noite pra nunca esquecer

Sem energia elétrica, muitas queixas na terça-feira: de subir a pé 12 andares carregando peso à impossibilidade de ver novela e entrar no Facebook

Por conta da tempestade de terça-feira, muita destruição e corte de energia elétrica em Curitiba. Mas, no início do arrasa-quarteirão, alguns comentários de pessoas que, obrigadas a esperar o fim da chuvinha inicial em abrigos improvisados, marquises e botecos, não se limitaram a São Pedro, mas também aos inevitáveis problemas que teriam pela frente. Culpa do blecaute.

Na porta de um supermercado, um cidadão, muito prevenido, depois de comprar um baita estoque de cerveja em lata para encarar a quarentena, ligou pra patroa.

– Alô… Oi! Pelo menos o celular tá funcionando…

E, ladeado por sacolas e mais sacolas recheadas de cerveja, mandou o recado:

– Não sei a que horas vou chegar… Não, não é por causa da chuva, é que, sem elevador, eu não vou subir 12 andares no pé dois carregando toda essa tráia

Outras duas pessoas não paravam de lamentar:

– Vou perder a novela das 8… E, pior, ficar sem a internet para acessar o face

– Assim não dá. Eu pago em dia a minha conta de luz…

– Pior mesmo é ir dormir sem ter lido o Plural, mas, tudo bem, amanhã bem cedinho eu volto à minha rotina.

Já no dia seguinte, Sol esplendoroso, alguém sai de casa com guarda-chuva. Chama a atenção de alguns transeuntes. Vá ser precavido assim nos quintos dos infernos. Aí, até pensou em exibir um cartaz com a explicação:

– Tô assim porque vou devolver o guarda-chuva que peguei emprestado pra voltar pra casa no início do temporal.

Concluída a tarefa (“muito obrigado pelo guarda-chuva, escapei da chuva numa boa”…), recorreu ao poema do poeta Thiago de Mello, que sempre reacende a esperança de dias melhores:

Faz escuro, mas eu canto

Mas, pensando bem,

Faz escuro, mas eu canto,

porque a manhã vai chegar.

Vem ver comigo, companheiro,

a cor do mundo mudar.

Vale a pena não dormir para esperar

a cor do mundo mudar.

Já é madrugada,

vem o sol, quero alegria,

que é para esquecer o que eu sofria.

Quem sofre fica acordado

defendendo o coração.

Vamos juntos, multidão,

trabalhar pela alegria,

amanhã é um novo dia.

Thiago de Mello

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

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