Sicupira e as lições além do futebol | Jornal Plural
23 nov 2020 - 10h47

Sicupira e as lições além do futebol

A confissão é de Albert Camus, ele mesmo: “O que eu mais sei sobre a moral e as obrigações do ser humano eu devo ao futebol”

Há livros e livros. Alguns pra ler e indicar aos amigos (ou dar de presente, um mimo, como diz o amigo Paulo Mercer) e colocar em lugar de destaque na estante. Caso de Sicupira – Vida e Gols de um Craque Chamado Barcímio, de Sandro Moser, lançamento da Editora Banquinho, de Curitiba. 376 páginas, com tremenda  pesquisa e texto primoroso, depoimentos fantásticos e um show de fotos históricas.  

É a história do maior artilheiro do Atlético, hoje Athletico. Mudou a grafia, mas só a grafia. Autor de 158 gols entre as décadas de 60 e 70 com a camisa do Furacão, o craque está lançando a sua biografia, escrita pelo jornalista Sandro Moser. À venda nas redes sociais do craque, na Amazon e em pontos de venda espalhados por Curitiba – R$60 (367 páginas).  

Voltando à velha Baixada  

Confesso que ganhei um exemplar – e com dedicatórias. Isso mesmo, no plural: do autor e do personagem. Um show em todos os sentidos – fotos históricas, registros mil, depoimentos. Para grande parte da torcida, Sicupa era um craque, artilheiro, bom de bola, mas agora temos o outro lado, fora dos gramados. Uma face nada oculta, mas nunca pesquisada e transposta para o papel com tamanha grandeza.  

No gramado da praça  

Confesso que, atleticano de muito antes do Club Athletico Paranaense, sem e com h, dos tempos da velha Baixada (morava perto, na Rua Engenheiros Rebouças), volta e meia estava correndo atrás da bola no gramado careca do campo de futebol da Praça Afonso Botelho, em frente ao Estádio Joaquim Américo Guimarães.  

Independentemente disso, gostaria de ter mais livros sobre os craques de outros times, do Coritiba, do (então) Ferroviário e até mesmo do Seleto ou do Rio Branco, de Paranaguá. Ou seja, talvez mal comparando, mesmo quando o Brasil perde uma Copa do Mundo como não reconhecer e admirar craques de outros países, Holanda, Alemanha, Itália, por exemplo?  

Afinal, como dizia Bill Shankly, treinador do Liverpool nos anos 70 e 80, o futebol “é mais do que ganhar ou perder”. E “mais do que ir ao futebol, encontrar os amigos no bar e voltar para casa”.  

E temos do franco-argelino Albert Camus, escritor dublê de goleiro ou goleiro dublê de escritor (1913-1960):  

– O que eu mais sei sobre a moral e as obrigações do ser humano eu devo ao futebol.  

Bonito – como um gol de bicicleta.  

Como nasceu o Furacão  

Em 1949, o hoje Athletico Paranaense foi um “furacão” que passou pelos campos do Paraná. Por obra e graça de uma manchete de primeira página do jornal Desportos Ilustrados, edição do dia 20 de maio daquele ano.  Ao noticiar a goleada do rubro-negro em cima do Britânia Sport Club (no domingo, dia 19), não deixou por menos e tascou com letras garrafais:  

– O “Furacão” levou o “Tigre” de Roldão.  

E, assim, nascia o cognome do rubro-negro paranaense.  

Em 2018, Mario Celso Petraglia promoveu uma revolução estilística no clube, alterando radicalmente o formato do escudo, o estilo das camisas principal e secundária e o nome. Atlético recebeu o acréscimo de um h após o t, retomando a grafia de sua fundação – Athletico.  

PS- 1: como bem ressaltou Carneiro Neto, a respeito do livro: gol de Sicupira! Golaço de Sandro Moser!  

Sandro Moser, autor da biografia do craque athleticano.

PS-2ainda sobre o livro: recomendo a compra de um exemplar, já que não tenho o hábito de emprestar meus livros. Ainda mais com dedicatória do autor e do personagem…

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

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