14 jan 2022 - 8h00

Parceira todo dia – registrando muitas histórias

A caneta Bic fez e ainda faz parte do trabalho de muita gente, incluindo jornalistas, desde a época áurea do jornal papel – e o nome deriva (sem o h) de Marcel Bich, seu inventor

Nos velhos tempos, ao sair da redação para cobrir um assunto, os repórteres tinham dois companheiros indispensáveis: o fotógrafo, conforme o caso, e a caneta esferográfica. Ela, inclusive, quando dava pra matar o assunto pelo telefone.   

Mas, alguns repórteres, apressadinhos ou meio desligados, forçavam o chefe de reportagem, o porteiro e até o motorista do jornal a dar uma conferida – este último antes de colocar a chave na ignição:  

– Tudo aí? Fotógrafo, endereço, papel lauda e a caneta…  

E, claro, não se tratava de caneta tinteiro, mas de uma que se tornaria de uso mais do que comum, a BIC. Por que BIC? Para remeter a seu inventor, Marcel Bich, com a retirada do h. do sobrenome.

Marcel Bich.

Surpreendente até no preço  

De lá para cá, avançando no tempo: dias atrás, quando São Pedro deu uma aliviada nas condições climáticas de Curitiba, alguém foi a uma papelaria, posto que a sua caneta BIC tinha dado o prego. E ficou meio surpreso não apenas pelo preço, R$ 1,50, mas pelos formatos e também pela variedade das cores, externas e internas, além do histórico azul (de origem marcante) e dos modelos.  

Esferográfica ou hidrográfica?  

Mais resistentes, mesmo assim as canetas esferográficas também precisam ser armazenadas com cuidado, preferencialmente na horizontal, em um estojo – ou na vertical com a ponta para baixo. No caso das hidrográficas, a secagem é mais rápida devido à sensibilidade da ponta de feltro.  

Voltando no tempo  

László Bíró.

Registros históricos com trechos devidamente sublinhados pelo comprador da BIC:  

– O conceito de uma caneta esferográfica remete à patente registrada por John J. Loud em 30 de Outubro de 1888. Era, simplesmente, um produto para marcar couros de cavalo, bois e vacas . Na década de 1930, László Bíró, um jornalista húngaro naturalizado argentino, inventou a primeira caneta esferográfica. Isso porque tinha percebido que o tipo de tinta utilizado na impressão de jornais secava rapidamente, deixando o papel seco e livre de borrões. Imaginou então criar uma caneta utilizando o mesmo tipo de tinta. Entretanto, a tinta, espessa, não fluía de maneira regular. A inovação era prática: enquanto a caneta corria pelo documento, a esfera girava no interior do bico, recolhendo a tinta do cartucho para depositar sobre o papel; ao mesmo tempo, vedava o reservatório, impedido que a tinta secasse provocando entupimento da caneta. 1938: László Biró e seu irmão Georg, que era químico, apresentaram pedido de patente da caneta esferográfica na Hungria (seu país natal), na França e na Suíça.  

Uma “arma” de guerra  

Na Segunda Guerra Mundial, o governo britânico adquire os direitos de licenciamento da tal patente dentro do chamado “esforço de guerra”. A Royal Air Force buscava um tipo de caneta que não permitisse o escapamento de tinta em altitudes, nos aviões de caça, como as canetas-tinteiro.  

PS: o texto não foi escrito numa Olivetti Studio 44.  

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

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