29 abr 2022 - 8h00

O ser humano sempre atrás da sorte (ou da $orte)    

Crendice: crença em coisas que a lógica não explica. Superstição: a mesma crença envolvendo o medo das consequências. E seguimos cruzando os dedos

Há registros de que a ferradura já era considerada um amuleto poderoso desde a Grécia Antiga. Primeiro por conta do ferro, “elemento que os gregos acreditavam proteger contra todo mal e devido ao formato de Lua Crescente, que significava fertilidade”. E o ideal seria colocar a dita cuja na parte superior da porta – e com as pontas para cima, impedindo que a sorte vá embora. Mas, em muitos países, acreditava-se que as pontas precisariam estar para baixo, para espalhar a sorte pela casa, caso da Espanha.  

E aí, sabe-se lá quem, tentou matar a charada:  

– Ferradura dá sorte? Se fosse isso burro não puxava carroça. Muito menos o cavalo.  

Da Sena à Mega Sena  

O trevo de 4 folhas talvez seja o amuleto da sorte mais conhecido no mundo até hoje. Não é à toa que no Brasil virou o símbolo da Mega Sena, criada pela Caixa Econômica a partir da estrutura de uma antiga loteria, a Sena. O primeiro concurso foi realizado em 11 de março de 1996. A última vez que um prêmio milionário foi sorteado pelas Loterias tem data: 27 de fevereiro de 2020, quando duas apostas receberam R$ 211,6 milhões. Em 2019, no entanto, um prêmio de R$ 289,4 milhões entrou fez história como o maior de todos os tempos.  

Um reforço para o orçamento federal  

Foi o imperador D. Pedro II quem regulamentou o funcionamento das loterias, por meio do decreto nº 357, de 27 de Abril de 1844. Em 1899, nos primeiros anos da República, parte da arrecadação foi incluída como receita no Orçamento Federal.

As primeiras loterias oficiais surgiram na Alemanha, Itália, França e Inglaterra, durante o século XVI, sendo que a França foi o primeiro país a passar para o Estado a iniciativa de promover as loterias como jogo popular, em 1538.  

Foto: Bruno Fortuna/ Fotos Públicas.

Apostas com cunho social  

Espanha aparece a primeira a implantar a loteria pública de cunho social, em 1763. Os jogos de loterias já eram muito populares na Espanha, tanto que o país fazia parte do grupo de nações com maior arrecadação e maior venda de apostas por pessoa.  

E não dá para ignorar o jogo do bicho: A prática do jogo do bicho se enquadra no artigo 51 da Lei de Contravenções Penais, que estabelece como contravenção penal “promover ou fazer extrair loteria sem autorização legal”.  

Os bicheiros ou anotadores são a face mais visível do negócio: vendem as apostas com seus bloquinhos e carimbos. Os gerentes são contadores que cuidam dos bicheiros de determinada área, intermediando o contato e o fluxo da grana aos banqueiros (mais conhecidos como bicheiros) – é a elite financeira do jogo.

Uma aposta do barão  

Criado em 1892, o jogo do bicho foi uma ideia do barão João Batista Drummond para atrair visitantes ao zoológico de Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Ele sugeriu organizar uma rifa para premiar os visitantes: toda manhã, escolhia a imagem de um entre 25 animais e a depositava em uma urna. Os visitantes recebiam um dos bichos estampados em seus bilhetes. No final do dia, quem tivesse a entrada com o mesmo bicho da urna, ganhava um prêmio de 20 vezes o valor da entrada.  

PS: E a relação entre gesto e êxito tem base na religião, segundo o escritor inglês Desmond Morris, para quem os dedos cruzados representam uma forma estilizada de representar uma cruz, pedindo boa sorte às forças divinas.  

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

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