Favela(s) em campo | Plural
31 jul 2019 - 22h24

Favela(s) em campo

Competição é o maior torneio de futebol de campo entre favelas do mundo

Acompanhando jogos do Brasileirão, não foram poucos os que estranharam breves chamadas na TV: hoje tem Taça das Favelas. Isso mesmo, ela existe e não é de hoje, só que agora ampliou seu público. Organizada pela Central Única das Favelas – CUFA -, a competição é o maior torneio de futebol de campo entre favelas do mundo. Ao todo, mais de 100 mil jovens participam da competição, que se inicia nas peneiras internas nas comunidades até a grande final. Peneira, como se sabe, é a seleção que os clubes promovem para descobrir novos talentos nas categorias de base, que reúnem menores de 18 anos.

A CUFA banca a competição visando contribuir para a “promoção da inclusão social por meio do esporte, influenciando positivamente a realidade de crianças e jovens brasileiros. Uma oportunidade de promover a integração das comunidades, a ressignificação do território e o fortalecimento da autoestima da juventude das favelas”.

E não é de agora

A primeira edição da Taça das Favelas foi realizada em 2012 e, segundo a CUFA, “desde então tem se consolidado como uma importante oportunidade de revelação de novos talentos para o futebol. Entre os destaques estão Erick Brendon, atual jogador do América, que disputou a Taça das Favelas 2012 representando o Complexo do Alemão, e Matheus Norton, que jogou a edição de 2013 e, no ano passado, se destacou na conquista do Torneio de Terborg, na Holanda”.

Mais: “A competição ganhou ainda mais notoriedade no cenário mundial, tendo sua importância e relevância reconhecida por grandes craques da bola como Zico, Júnior, Bebeto e Romário. Hoje a Taça é um sucesso e a cada ano cresce o número de favelas inscritas”.

Ainda da CUFA: “Além de dar oportunidade aos jovens talentos das favelas em busca do sonho de se tornar jogador profissional, a Taça das Favelas tem como fio condutor proporcionar novas experiências educacionais e culturais a estes jovens. Acreditamos que a conscientização é essencial também fora do campo de jogo, e é dessa forma, pensando além das quatro linhas, que a CUFA oferece workshops e palestras durante o torneio. Mais do que um torneio esportivo, a Taça das Favelas é o campeonato da integração social, levando a milhares de jovens valores educacionais e de cidadania. UM GOL PARA TODA A VIDA!”.

O time de cada um

Muito interessante também são os nomes de alguns times do grupo feminino. Alguns exemplos: 

Gogó da Ema
Curral das Éguas
Sapo de Camará
Grota de Niterói
Viegas
COHAB Realengo
Camarista Meier
Parque São Vicente
Complexo do Paraíso
Morro do Escadão
Nova Brasília Niterói
PTotal
Corte Oito
Ititioca
Pereirão
Padre Miguel
Ouro Preto
Nova Campinas
Complexo da Coreia
Complexo da Manguariba
Jardim Luana
Complexo do Acari
Complexo do Chapadão
Jardim Bom Retiro
Vila Nova/Cosmorama
Caixa D’Água
Santa Eugênia
Batan
Pedreira de Vassouras
Morro da Bahiana
Chaperó…

Do gramado para o cinema

E há quem, cinéfilo empedernido, tenha voltado no tempo: um filme brasileiro de 1962, fundamental para o advento do Cinema Novo: Cinco Vezes Favela.  São 5 histórias, cada uma delas com diferentes diretores: Marcos Farias, Miguel Borges, Cacá Diegues, Joaquim Pedro de Andrade e Leon Hirszman. Produção de Leon Hirszman, Marcos Farias e Paulo Cezar Saraceni. Na coprodução, o Centro Popular de Cultura (CPC), da União Nacional dos Estudantes. Trilha sonora de Carlos Lyra (segmentos Escola de Samba Alegria de Viver e Couro de Gato), Hélcio Milito (Pedreira de São Diego), Mário Rocha (Um Favelado e Zé da Cachorra) e Geraldo Vandré (Couro de Gato).

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