6 maio 2022 - 8h49

É “Deus e o Diabo na Terra do Sol” – sempre  

Restaurado (é de 1964), o filme de Glauber Rocha volta ao Festival de Cannes e, desta vez, com o merecido destaque na seção clássicos do cinema

A notícia é do Estadão Conteúdo, sobre o Festival de Cannes, marcado para 17 a 28 deste mês: depois de 58 anos, “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha, será reexibido no Festival de Cannes. Clássico do Cinema Novo fez parte do evento em 1964 e foi indicado à Palma de Ouro. Agora, em versão restaurada em 4K, feita pelo produtor Lino Meireles e a diretora Paloma Rocha, filha do cineasta, foi selecionado na seção Cannes Classics, dedicada a filmes clássicos e à preservação do patrimônio cinematográfico mundial. A tal resolução 4K permite acessar, além da televisão digital, o cinema digital.  

Porque sétima arte  

Será a 75ª edição do Festival. Vicent Lindon, polêmico ator francês, será o presidente do júri, função desempenhada pelo roteirista e diretor Spike Lee no ano passado. Pela ordem (de entrada em cena) temos a pintura, escultura, música, literatura, a dança, arquitetura e o cinema. E o cinema virou o sétimo item por conta do Manifesto das Sete Artes, de Ricciotto Canudo, em 1911, publicado em 1923. Como não poderia ser diferente, a lista continuou crescendo, incluindo a fotografia, histórias em quadrinhos (certamente com contribuição do Bennet), jogos eletrônicos e arte digital.  

Glauber Rocha.

Glauber trata de duas formas de contestação social diante do descaso das autoridades, prejudicando as condições materiais de vida dos sertanejos: o messianismo e o cangaço, que representam, respectivamente, o Deus e o Diabo.  

Elenco: Geraldo Del Rey – Manoel/Yoná Magalhães – Rosa/Othon Bastos – Corisco/Maurício do Valle – Antônio das Mortes/Lídio Silva – Sebastião/Sônia dos Humildes – Dadá/ Roque Santos-Cego Júlio/João Gama – Padre/Antônio Pinto – Coronel da Região/Milton Rosa – Coronel Moraes.  

Indo além do cinema  

Cineasta, ator e escritor, Glauber de Andrade Rocha nasceu em Vitória da Conquista, Bahia, no dia 14 de março de 1939; faleceu no dia 22 de agosto de 1981, no Rio de Janeiro, aos 42 anos.  

Também altamente marcante, não há como deixar de lado a música da trilha sonora de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”:  

– Se entrega Corisco/Eu não me entrego não/só me entrego na morte/ de Parabellum na mão…  

Parabellum? A palavra vem da frase “Se vis pacemparabellum”, que significa “Se você quer paz, prepare-se para a guerra”. Bellum significa guerra – e, com o passar dos anos, o substantivo deu origem a bélico, que engloba vários termos relacionados a conflitos militares. E a Luger PO8? É uma antiga pistola semiautomática fabricada na Alemanha, entre de 1900 e 1941. Virou o maior souvenir da II Guerra Mundial. Adotada pelo exército em 1908, razão do nome P08. Dois milhões de unidades foram fabricadas entre 1914 e 1918, período da 1ª Guerra Mundial.  

PS: e ainda há quem pergunte por que viver é perigoso…

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

3 comentários sobre “É “Deus e o Diabo na Terra do Sol” – sempre  

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