Do outro lado do balcão não é nada fácil... | Jornal Plural
14 set 2020 - 20h05

Do outro lado do balcão não é nada fácil…

Há quem defenda a obrigatoriedade da carteira de motorista para dirigir um bar; afinal, é preciso ser aprovado nos exames de aptidão física e mental

O freguês tem sempre razão. Será? É coisa que vem de longe. Consta que tal afirmação, de modo impositivo, não dando margem para objeção ou resposta, partiu de um grande empresário: Harry Gordon Selfridge (1858-1947), fundador em 1909 de uma rede de lojas de departamento em Londres.  

Mudando (radicalmente) de cenário. Algumas cenas que tiveram testemunhas, além do (sofrido) dono de certo bar em Curitiba. Um cidadão, claudicante ao andar e mais ao falar, encosta no balcão:  

– Eu… Eu quero… Eu quero uma bebida…  

– Qual?  

Breve silêncio.  

– Não lembro o nome. É uma que tomei aqui uma vez. Tem um nome estranho…  

– Steinhaeger?  

– Essa mesma!  

Todo o dia, sem parar  

Hora do almoço, no mesmo bar. Depois de comer bastante e tomar refrigerante, o freguês paga a conta e vai embora. Não demora muito e está de volta, esbaforido:  

– Esqueci a minha dentadura…  

De fato. E ela tinha sido recolhida juntamente com o prato, os talheres e a latinha de Coca cola, mas com outro destino. Estava à disposição no canto de achados e perdidos, ao lado de cinco guarda-chuvas.  

E quando não é a dentadura, é o golpe do cartão de crédito. O sujeito come e bebe e, na hora de pagar, faz cara de espanto:  

– Xi! Esqueci o cartão em casa. Mas ainda bem que eu moro aqui pertinho, vou lá buscar e já volto…  

Só voltou algumas semanas depois. E a cena se repetiu. Na hora de pagar, a mesma desculpa. Precavido, o gerente chamou alguém da cozinha, pediu que ficasse no balcão e intimou o malandro:  

– Não tem problema. Só que desta vez eu vou junto com você buscar o cartão…  

E foi o que aconteceu.    

Crédito da foto: Pexels.

Nem o gramado escapa  

Em jogo de futebol recente, transmitido pela TV, um freguês, para espanto dos demais presentes, reagiu ao ver na telona do bar os retoques finais para o início da partida.  

– Xi! Estão irrigando o gramado! Insistem em prejudicar os times e tornar o jogo uma pelada!  

Como se sabe, a irrigação é para deixar o jogo mais veloz e bonito. Isso é possível porque há definições sobre o tamanho dos gramados. Os campos têm medidas iguais às adotadas para a Copa do Mundo e a grama segue padrões até em sua milimetragem. Na Arena da Baixada, por exemplo, “os componentes do campo dão toda a sensação de ser natural, até na sujeira ao cair no chão. A sensação é fundamental para o atleta”, como já argumentou Christian Truda, representante da empresa Limonta Sport, que instala gramas artificiais no Brasil, mas sem vínculo com o Athletico, aliás, o tricampeão paranaense.  

Especialista em campo artificial, Truda defende a qualidade do campo. E nem precisaria porque, afinal, tem a chancela da Fifa.  

Aptidão física e mental  

Sobre a carteira de motorista também para dirigir um bar: os exames específicos de aptidão física e mental são necessários para alguns procedimentos. O exame médico e psicotécnico do Detran é a primeira etapa do processo para tirar a Carteira Nacional de Habilitação. Com ele teremos um retrato das condições cognitivas e lógicas do candidato. Características de aptidão e raciocínio visual.  

Já o exame psicotécnico é um método de avaliação da personalidade. Um exame capaz de definir o comportamento padrão de uma pessoa ou de um grupo de pessoas, bem como definir diferenças entre indivíduos e as suas reações diante várias situações do dia a dia ou situações fora do cotidiano.  

Ainda de bares: em Itapoá, Santa Catarina, tem um bar que, na carta de bebidas, oferece sangue de mosquito. Ninguém se arrisca, até porque nem o proprietário sabe explicar do que se trata.

Às vezes, como a vida, beber é perigoso. 

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

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