Do eucalipto ao pré-sal | Jornal Plural
2 set 2019 - 22h36

Do eucalipto ao pré-sal

Avalia-se que o país tenha entre 70 e 100 bilhões de barris equivalentes de petróleo e gás natural mineral

É bom lembrar: a tal Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) foi criada em 1960 – objetivo: atuar na elaboração de políticas sobre produção e venda do petróleo dos países integrantes do grupo. Não muito tempo depois, ela fez um alerta: a queda do investimento devido aos preços baixos poderia pôr em perigo o futuro abastecimento de petróleo devido à quebra da descoberta e das explorações de novas jazidas.

Quanto aos interesses de fora, dos donos do mundo, basta lembrar que, ainda nos anos 60, o futurólogo Hermann Khan, do Hudson Institute, de Nova Iorque, e a serviço do Departamento de Estado norte-americano, defendeu (para o Brasil do futuro) o projeto Grandes Lagos Amazônicos.

Petróleo? O Brasil não teria um pingo. As áreas pesquisadas eram mais indicadas para o plantio de eucaliptos, teria declarado o fe$tejado futurólogo.

E a resposta brasileira (hoje, com o Boso, certamente seria bem diferente) veio em tom de piada, tirando sarro dos gringos do Departamento de Estado e dos entreguista$ nativos (hoje mais do que nunca na ativa, ba$tante e$timulado$). A piada:

– Quantos barris de eucalipto a Petrobrás vai mesmo produzir por dia?

Autonomia, soberania

Há quem tenha recordado a luta para a criação da Petrobrás. Ela ganhou força em 1946, em defesa da soberania brasileira sobre o recurso natural. Sete anos depois, surgia a Petrobrás. E, no momento atual, em defesa do pré-sal, há que se invocar o velho grito de guerra:

– O petróleo é nosso!

Até porque o monopólio integral do petróleo pela Petrobrás é imperativo de segurança nacional.

Afinal, para um país que não teria um pingo petróleo, a avaliação era de que dispunha entre 70 e 100 bilhões de barris equivalentes de petróleo e gás natural mineral. Assim, poderá se tornar grande exportador de petróleo.

É nosso desde 1939

No Brasil, a busca pelo que também era chamado de ouro negro vem de longa data, desde os tempos coloniais, mas a primeira jazida de petróleo do país só foi descoberta em 1939, na região de Lobato, periferia de Salvador. Coincidentemente, o local tem o mesmo nome de um dos ícones da defesa da exploração petrolífera no Brasil, o escritor paulista Monteiro Lobato. Ele batalhou de maneira incansável para provar que o país tinha potencial no setor e que o petróleo poderia dar ao povo brasileiro um melhor padrão de vida.

É de Lobato, inclusive, a frase “O petróleo é nosso!“, que virou bandeira  da campanha nacionalista lançada em 1946 “em defesa da soberania brasileira sobre o recurso natural”. Sete anos depois, surgiria a Petrobrás. Foi no dia 3 de outubro de 1953, com a Lei 2004, sancionada pelo então presidente Getúlio Vargas, que estabeleceu o monopólio estatal do petróleo e a criação da Petrobrás, empresa de capital aberto, estatal de economia mista que tem o governo federal (União) como acionista majoritário.

E vamos entregar o pré-sal?

Avalia-se que o país tenha entre 70 e 100 bilhões de barris equivalentes de petróleo e gás natural mineral. Assim, haverá um grande lucro para o Brasil e, segundo a até então ministra Dilma Rousseff (na época do anúncio), o Brasil poderá se tornar exportador de petróleo. Ocorrendo assim maior geração de riquezas e empregos, além de o país adquirir maior poder de decisão política.

Sem desprezar o eucalipto e o restante da mata brasileira.

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