De volta ao Japão | Plural
7 ago 2019 - 21h42

De volta ao Japão

O criado-mudo do hotel tinha lanterna, machadinha e corda de alpinismo

Como se sabe, o Athletico Paranaense conquistou no Japão o título da J.League YBC Levain Cup/Conmebol Sudamericana Championship 2019. O Furacão goleou o Shonan Bellmare por 4 a 0 na final, a maior goleada da história da competição. E pipocaram no noticiário coisas como os adversários paralelos: o forte calor e a adaptação ao fuso horário.

Para quem já esteve no Japão, nada de novo quanto ao fuso horário, ou confuso horário para muitos, ou o calor. Faltou lembrar que o Japão é a terra dos terremotos. Parte do continente asiático, com uma área de 377.801 quilômetros quadrados, está num dos pontos mais sísmicos do planeta – na beirada da placa tectônica euroasiática, zona de convergência de placas tectônicas, o chamado “Círculo do Fogo do Oceano Pacífico”.

Assim, terremotos e tsunamis são fenômenos relativamente comuns no Japão – dois em cada dez terremotos no mundo com magnitude superior a 6 graus na escala Richter atingem o país. Em 1923, um tremor de magnitude de 8,1 graus atingiu a região de Tóquio, causando a morte de mais de 3 mil pessoas. No dia 11 de março de 2011, às 14:46 (2h46 minutos em Brasília), o país foi atingido por um terremoto de magnitude de 9 graus na escala Richter, segundo informações do Serviço Geológico dos Estados Unidos. Foi pior terremoto do Japão e o quarto pior já registrado no mundo.

Hoje, o Japão dispõe de avançados sistemas de defesa civil e conta com moderníssima tecnologia na estrutura de construções. Daí um cabôco de Curitiba, anos atrás, confortavelmente instalado em um quarto de hotel em Tóquio, oitavo andar do prédio, foi dormir. Mas, curioso, quis saber o que havia no criado mudo. Puxou a gaveta e levou um tremendo susto. Topou com uma lanterna, uma machadinha e uma corda de alpinismo. Isso mesmo.

Custou a pegar no sono. No dia seguinte, quis saber o motivo do aparato caseiro. Resposta: em caso de terremoto e queda de energia, o jeito era improvisar. Lanterna acesa, machadinha para derrubar a porta do quarto e, com o elevador desligado, amarrar uma ponta corda em um ponto bem firme e, a outra, enrolar em torno do peito e, aí, detonar a janela e descer pelo lado de fora…

Como tinha sido marumbinista, dormiu um pouco mais tranquilo.

Hino de autores desconhecidos

Ainda do Japão: o que muitos poucos conhecem é o Kimigayo. Geralmente traduzido como “Reino Imperial”, é o hino nacional do Japão –  e também um dos hinos nacionais mais curtos do mundo ainda em uso. A letra é baseada num poema Waka escrito no Período Heian (de autor desconhecido), enquanto que a melodia foi composta na era Meiji, também de autor desconhecido.

Apesar do Kimigayo ser há muito tempo o hino de fato do Japão, somente foi legalmente reconhecido como tal em 1999, após passar por um conselho que decidiu pela adoção do hino. Há uma teoria de que essa letra foi uma vez um poema de amor.

Possa o reinado do meu senhor,
Prosseguir durante uma geração,
Uma eternidade,
Até que seixos
Surjam das rochas,
Cobertas de musgo verde claro

O termo kimi é uma antiga palavra que significa “nosso senhor” e refere-se ao Imperador do Japão. A ideia de que seixos pudessem crescer de rochas era popular no domínio Heian do Japão. Mas, durante este mesmo período (e quando a letra foi escrita), kimi significava “meu amado” ou simplesmente “você”, que é o atual significado.

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