Da(s) bomba(s) atômica(s) ao vírus | Jornal Plural
14 abr 2020 - 0h31

Da(s) bomba(s) atômica(s) ao vírus

Francisco Camargo relembra outra decisiva contribuição humana: as bombas atômicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki

Por conta do Covid-19 e da quarentena, há quem tenha viajado no tempo e recordado outra tragédia de consequências incomensuráveis – e com a decisiva contribuição humana. Hiroshima e Nagasaki – II Guerra Mundial.

Em 2017, no final do mês de março, o Centro Universitário FEI – Fundação Educacional Inaciana Padre Sabóia de Medeiros -, na capital paulista, reuniu testemunhas do bombardeio atômico de Hiroshima, na manhã de 6 de agosto de 1945. No palco, deram depoimentos sobre a tragédia nuclear. Era o biodrama, uma prática de investigação, uma forma de pensar sobre a vida e sua relação mútua com a arte. Ou seja, experiências particulares como ponte para a criação da dramaturgia, como destacou a Agência Brasil na matéria “Sobreviventes de Hiroshima relatam drama da bomba atômica em peça teatral em SP”, de Ludmilla Souza, reproduzindo o relato de suas experiências no momento do ataque, além da imigração para o Brasil.

– Takashi Morita, Junko Watanabe e Kunihiko Bonkohara estavam em Hiroshima na manhã de 6 de agosto de 1945, quando uma bomba atômica lançada por um avião dos Estados Unidos devastou a cidade matando mais de 140 mil pessoas já no fim da 2.ª Guerra Mundial.

Preservando a memória

– Descobri que havia mais de 100 sobreviventes em São Paulo, tanto de Hiroshima quanto Nagasaki. A partir desse momento, eu já achava que era uma memória que não deveria se perder e, pelo fato também de serem discriminados pela própria colônia japonesa no Brasil, me aguçou ainda mais o interesse em trabalhar nessa peça, disse Rogério Nagai, idealizador do projeto, ator e diretor do espetáculo.

Testando as bombas

A propósito de Hiroshima e Nakasaki, há quem tenha lembrado também que é comum se referir ao episódio como o lançamento da bomba atômica. Como se ela fosse apenas uma. Na verdade, a primeira bomba, lançada em Hiroshima, batizada de Little Boy, portava 60 toneladas de urânio.

A 576 metros acima da cidade, 43 segundos depois do lançamento o gatilho barométrico e o de tempo acionaram o mecanismo detonador. Um projétil de urânio foi disparado contra um alvo de urânio iniciando uma reação em cadeia. E a matéria sólida começou a se desintegrar liberando uma gigantesca quantidade de energia.

Já no caso de Nagasaki, três dias depois, a segunda bomba, chamada Fat Man, era constituída de plutônio. O alvo seria a cidade de Kokura. Devido às condições do tempo, o bombardeio seguiu para o alvo alternativo, Nagasaki. A bomba de plutônio era mais terrível do que a que havia devastado Hiroshima.

Nos quatro meses após os ataques atômicos, os efeitos das explosões mataram entre 90 mil e 166 mil pessoas em Hiroshima e entre 60 mil e 80 mil em Nagasaki; cerca de metade das mortes em cada cidade ocorreu no primeiro dia.

PS: como escreveu Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas, “viver é muito perigoso”. E cada vez mais.

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