Da Amazônia ao Paraná em flagelo | Jornal Plural
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26 ago 2019 - 22h50

Da Amazônia ao Paraná em flagelo

Em 1963, o Paraná sofreu um dos maiores incêndios da história do país

Não poucas coisas a gente aprende quando criança. Uma delas: não brinque com o fogo. Mas, infelizmente, nem todo mundo segue o conselho. E ainda há quem ache engraçado, uma simples brincadeira, como gritar “fogo!” numa sala de cinema lotada – só para dar um pequeno susto no público, mesmo gerando pânico.  

Na semana passada, Emmanuel Macron, presidente da França, afirmou que a calamidade na Amazônia é uma “crise internacional” e uma “emergência”. E que a cúpula do G7 deve se reunir para discutir a “devastação no Brasil”. Mais:

– Nossa casa queima. Literalmente. A Amazônia, o pulmão de nosso planeta, que produz 20% de nosso oxigênio, arde em chamas. É uma crise internacional. Membros do G7, vamos nos encontrar para falar dessa urgência!

Voltando no tempo

Foi em 1963. Um grande incêndio florestal atingiu a região do Norte Pioneiro e dos Campos Gerais, além de alguns municípios da região central e do Norte do Estado. Segundo os jornais da época, abrangeu áreas rurais e aproximadamente 10% do território paranaense foi consumido – cerca de 2 milhões de hectares foram completamente devastados, sendo 20 mil de plantações, 500 mil de florestas nativas e 1,5 milhão de campos e matas secundárias. Morreram 110 pessoas e milhares ficaram feridas e desabrigadas. Além disso, milhares de animais foram mortos, entre animais silvestres e de criação.

Os prejuízos foram enormes, devastando lavouras, reflorestamentos, muitas fazendas e vilas. O incêndio atingiu 128 municípios, levando o governo a decretar estado de calamidade pública. Foi considerado um dos maiores incêndios ocorridos no Brasil e no mundo.

O princípio do fim: os campos estavam secos em razão das fortes geadas daquele ano, mas, mesmo assim, mantendo um velho costume, lavradores promoveram pequenas queimadas para limpar o terreno. Não demorou muito e as chamas avançaram sem controle.

Cerca de 8 mil imóveis, entre casas, galpões e silos, viraram cinzas. Pelo menos de 5,7 mil famílias – a maioria formada por trabalhadores rurais – ficaram desabrigadas. Tratores, equipamentos agrícolas e incontáveis veículos foram atingidos pelo incêndio.

O mês do desgosto

No dia 14 de agosto de 1963, ainda conforme os jornais, foram registrados os primeiros focos de incêndio em Guaravera, Paiquerê e Tamarana. Mais tarde provocou a perda de pelo menos 15 milhões de araucárias. O relatório do governo estadual da época revelou que o município de Ortigueira teve 90% da área queimada. Mais de 70% das reservas florestais das Indústrias Klabin de Papel e Celulose, cultivadas em uma fazenda de Tibagi, se perderam. Só nesse local, 200 milhões de araucárias foram destruídas. As perdas em todo o estado eram calculadas em 200 milhões de cruzeiros. A ajuda para combater o incêndio veio de outros estados, com o fornecimento de helicópteros e aviões. O fogo cessou naturalmente graça à volta da chuva.

O então governador Ney Braga chegou a contratar, em outubro, por 300 milhões de cruzeiros, uma equipe dos Estados Unidos para auxiliar no desenvolvimento do Paraná, que estava sofrendo com os efeitos da tragédia. Os peritos norte-americanos orientaram os produtores rurais para que não fizessem uso de queimadas para limpar o terreno antes do plantio.

Educação ambiental

A Constituição Federal de 1988 estabelecia, no inciso VI do artigo 225, a necessidade de “promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente”. Já a Lei 9795, de 27 de abril de 1999, da Presidência da República, dispondo sobre a educação ambiental, instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental (regulamentada pelo Decreto 4281/2002). Essa Lei definiu a educação ambiental como “processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade”.

Mas, como tantas outras leis, parece que ficou no papel. Quanto ao drama em nosso Estado, foi promovida campanha Paraná em flagelo. Graças a ela, a ajuda foi grande. E mundial. Basta ver que foram enviados medicamentos, ferramentas agrícolas, roupas e alimentos oriundos de diversos países, como China, Estados Unidos, Itália, Japão e Suíça.

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