Charges & cartuns – a escolher | Jornal Plural
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30 set 2019 - 21h44

Charges & cartuns – a escolher

A história da charge e do cartum no Brasil e no mundo

Depois de devorar a revista Primeira Guerra Mundial – Uma história em imagens, excelente publicação da On Line Editora, um amigo não pensou duas vezes: voltou à banca de revistas da esquina e comprou mais um exemplar. Agora, é claro, o da Segunda Guerra Mundial – Uma história em imagens.

– É como cerveja. Depois da primeira, vamos à segunda – justificou, sem necessidade, é claro.

Papel de alta qualidade, imagens e documentos incríveis. E, na página 17, encontrou um cartoon publicado pela revista inglesa Punch, edição de 12 de agosto de 1914, que mostra um jovem fazendeiro belga pronto para barrar o agressor alemão. Atrás dele, uma cerca de madeira com o aviso afixado no portão:

– No thoroughfare.

Ou seja, nenhuma via / trânsito proibido.

No pé do desenho: Bravo, Belgium!

“Traduzindo” o desenho: depois de invadir Luxemburgo, sem encontrar resistência, a Alemanha planejava atacar a França passando pela Bélgica, que era neutra.

Mais do que traços

Como se sabe, caricatura vem a ser a representação exagerada de características ou hábitos de uma pessoa. Já o cartoon, pra nós cartum, também recorre à caricatura, mas de modo diferente da charge; não retrata personagens conhecidos e não tem como objetivo satirizar uma situação atual, simplesmente faz graça com algo do cotidiano. A charge, por sua vez, é uma ilustração bem humorada que envolve a caricatura de um ou mais personagens, com o objetivo de satirizar algum fato/acontecimento da atualidade.

Charge tem origem do francês charger, que significa carga. No Brasil, a primeira charge foi publicada em 1837, com o título A Campainha e o Cujo. Criação de Manuel José de Araújo Porto-Alegre, que era também pintor. E, ainda segundo os estudiosos do assunto, há quem afirme que a caricatura chegou até a influenciar o movimento expressionista.

Do século XVI ao Brasil

Ainda dos estudiosos do assuntoNo fim do século XVI, o italiano Annibale Carracci foi primeiro artista a usar a caricatura como forma de arte. Oriundo de uma família de artistas e cofundador da Escola de Bologna, ele praticava sua arte em contraste às pinturas idealizadas, em voga na época. Os desenhos foram tão inovadores que o termo caricatura foi criado para denominá-los.

No Brasil, a caricatura surgiu em 1822, em Pernambuco, graças a uma publicação, O Maribondo, na qual um corcunda é atacado por marimbondos. Era o conflito entre brasileiros (no caso, os insetos) e os portugueses, o homem.

Uncle Sam em cena (até hoje)

E não dá para deixar de lado (pelos mais variados motivos) o Tio Sam, “a personificação nacional dos Estados Unidos e um dos símbolos nacionais mais famosos do mundo”. Uncle Sam entrou em cena durante a guerra anglo-americana de 1812, mas só foi desenhado em 1870. E ele existiu: chamava Samuel Wilson (1766-1854) e carregava o apelido de Uncle Sam. Não passava de um comerciante que fornecia carne para o exército. Como as embalagens traziam as iniciais U.S. (United States), os soldados diziam que as letras significavam Uncle Sam. A coisa ganhou corpo e o governo aproveitou para fazer uma caricatura do personagem, que passou a representar os Estados Unidos.

– Ele era usado como símbolo da expansão americana, incentivando o nacionalismo, segundo o historiador Sérgio Augusto Queiroz Norte, da Unesp – Universidade do Estado de São Paulo.

Tio Sam ganhou fama internacional na Primeira Guerra Mundial, quando foi criado o famoso cartaz com a frase I Want You (Quero você), chamando os jovens para o alistamento militar. Em 1961, o Congresso americano oficializou a expressão Tio Sam como símbolo nacional.

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