26 abr 2022 - 8h58

Benett sempre nota + que 10 e além do traço    

A charge, que virou um gênero jornalístico, teve início na Europa, no século XIX, e chegamos a craques como Alberto Benett, no Plural e na Folha de S.Paulo

De origem francesa, charger quer dizer carga – o uso do exagerado para representar alguma situação ou alguém de forma cômica. Mas, enquanto no cartum o alvo são pessoas comuns, na charge elas são representadas por personagens ligados à vida pública, como um político, um artista, um tirano. A primeira charge publicada no Brasil recebeu o título A Campanha e o Cujo, criada por Manuel José de Araújo, em 1837, em Porto Alegre.  

Caricatura: desenho que exagera nas características físicas da figura para obter retratos bem-humorados. Já o cartum é uma espécie de anedota gráfica, na qual podemos presenciar a linguagem verbal associada à não verbal. Ou, por outra, a charge retrata situações atuais com base em notícias, enquanto o cartum é utilizado para criticar e satirizar situações atemporais, que fazem parte de qualquer época ou tempo.  

A Campanha e o Cujo, criada por Manuel José de Araújo, em 1837, é considerada a primeira charge publicada no Brasil..

A palavra charge é de origem francesa e significa carga. Esse nome não foi escolhido por acaso, já que uma das principais características da charge é exagerar, seja sobre um fato, seja sobre uma pessoa, de modo a torná-la uma caricatura.  

Chargista do jornal Folha de S.Paulo desde 2007 e, agora, com contrato renovado, Benett com a palavra, ou melhor, com o texto:  

– No começo de 2007, recebi uma ligação do editor de arte da Folha de S. Paulo, na época, Fábio Marra, pedindo algumas charges políticas para avaliação. Eufórico, trêmulo e sem a mínima esperança de algo acontecer, mandei. Outros cartunistas também receberam essa ligação. No dia seguinte ele retornou: “Parabéns, você foi escolhido para cobrir as férias do Glauco e do Angeli”.  

– A Chiclete com Banana, revista de quadrinhos editada pelo Angeli, de 1985 até meados dos anos 1990, levou toda a minha inocência para o ralo. Lá tinha tudo o que um desenhista de 12 anos precisava: quadrinhos, charges, cartuns, fotonovelas, sexo, drogas, rock and roll, política, música e muita, muita galhofa, como eles chamavam.  

Um dia muito especial  

– No dia em que minha primeira charge foi publicada, comprei dois exemplares da “Folha” na banquinha de uma esquina perto da UFPR. Abri com medo de ter acontecido alguma coisa, tipo o desenho sair de ponta cabeça ou mesmo nem ter saído. Ao contrário das altas probabilidades de dar errado – como quase tudo na minha vida –, a charge deu certo. Ela era ok. As cores ficaram legais. Foi um dos dias mais felizes da minha vida. Porém, a felicidade não era completa por um certo receio que carcomia meu estômago: o que o Angeli e o Glauco pensaram em ver um ladrão entre dois cristos publicando no Olimpo sagrado das charges políticas? Talvez fosse melhor nem saber.  

– Em 2008, o Marra me ligou de novo. Outro processo de seleção para escolher o chargista que cobriria as férias dos dois monstros. Fui escolhido de novo. Então o Marra me liga e diz as melhores palavras do mundo para um cartunista: “Vamos assinar um contrato?”. Agora, eu era colega de espaço do Angeli, do Glauco e do Jean Galvão. Eu era o nanico da turma.  

Charge do Benett publicada no Plural.

No Brasil (não o Benett) desde 1837  

A charge é uma história contada em um breve texto e ilustrada em quadrinhos. Surgiu na Europa e foi publicada no Brasil pela primeira vez em 1837, e tratavam de críticas ao império. Quando foi criada, era vendida separadamente nas ruas, mas rapidamente se popularizou e passou a ser publicada em jornais e revistas.

A primeira charge publicada no Brasil tinha o título A Campanha e o Cujo, criada por Manuel José de Araújo, em 1837, em Porto Alegre.  

Benett dispensa comentários, mas…  

– Em 2019 ajudou a criar o jornal Plural.jor.br e, em 2005, foi vencedor do Salão de Humor de Piracicaba, na categoria quadrinhos. No final de 2007 publicou pela Editora Juruá seu primeiro livro de tiras:  Benett Apavora! Tiras Infames e Desenhos Encardidos Para Toda Família Disfuncional. E é autor do livro Amok – Cabeça, tronco e membros, editora Mórula, em 2013. Em 2005 foi vencedor do Salão de Humor de Piracicaba, na categoria quadrinhos.  

Charge do Pancho publicada em 26 de abril no Plural.

PS: sobre a charge de hoje, do tal de Pancho, a do sujeito muito azarado, faltou acrescentar algo no balão do desenho: é o sujeito mais azarado do mundo. Quando herdou o circo, o leão fugiu e o anão cresceu e, por fim, votou no Bolsonaro…  

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

Um comentário sobre “Benett sempre nota + que 10 e além do traço    

  1. Benett é diferenciado, não é um chargista da gargalhada.
    É intelectual com consciência da diversidade dos leitores, ou seja, facilita o
    entendimento sem prejuízo do conteúdo literário e estético da charge.
    É crítico sem dar porrada.

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