22 abr 2022 - 9h00

A outra face (quase oculta) de Tiradentes

21 de abril é feriado nacional por conta de Joaquim José, que, de origem humilde, foi tropeiro, minerador e até mascate

A palavra dentista vem do latim dens – que, é claro, significa dente – mas, antes da profissão, quem fazia o trabalho eram os barbeiros. Com uma escova parecida com a que usamos hoje – uma delas, que foi achada por paleontólogos, na Europa, tem cerca de 300 anos.  

Em 1363, Guy de Chauliac, cirurgião-dentista na cidade francesa de Avignon, introduziu pela primeira vez o termo dentista na profissão que entraria para a história.  

Pior para os animais

A odontologia surgiu pela necessidade do homem lidar com a dor e a perdas dentárias. Já entre os mamíferos carnívoros, a perda dos dentes é um dos motivos mais terríveis de morte, pois impede os animais de caçar, se alimentar e dificulta a sua defesa. Inicialmente denominada “arte dentária”, a odontologia evoluiu através dos tempos até se tornar uma ciência da saúde.   

Nascido em 12 de novembro de 1746, na então Capitania de Minas Gerais, Brasil colônia, Joaquim José desempenhou várias profissões. Entre elas a de dentista amador e, por isso, ganhou o cognome Tiradentes. Além de dentista, Tiradentes também tentou a sorte como tropeiro (conduzindo tropas de animais ou transportando mercadorias), minerador e mascate (mercador ambulante), mas fracassou em todas. A única profissão que lhe rendeu estabilidade foi o posto de alferes – patente abaixo da de tenente – da cavalaria dos Dragões Reais de Minas, força militar atuante na Capitania de Minas Gerais e subordinada à Coroa Portuguesa.  

Um fracasso atrás do outro  

De uma família de origem humilde, Joaquim José nasceu na Capitania de Minas Gerais no dia 12 de novembro de 1746. Com a morte prematura dos pais, precisou exercer inúmeros trabalhos ao longo de sua vida. E, durante o Brasil Colonial, desempenhou várias profissões. Entre elas estava a de dentista amador e, por isso, ganhou o apelido Tiradentes. Além de dentista, ele também tentou a sorte como tropeiro (condutor de tropas de animais, transportadoras de mercadorias), minerador e mascate (mercador ambulante), mas fracassou em todas. A única coisa que lhe rendeu estabilidade foi o posto de alferes – patente abaixo da de tenente – na cavalaria Dragões Reais de Minas, força militar atuante e subordinada à Coroa Portuguesa.  

Tiradentes com uniforme de alferes em pintura de José Wasth Rodrigues.

A caminho da forca  

E Joaquim José da Silva Xavier ficaria famoso também por ser um dos líderes da Inconfidência Mineira e por ter sido o único, entre os inconfidentes, a receber a pena capital, isto é, a pena de morte, pela forca.  

Mas, entre tantas carreiras, o que tornaria Tiradentes um herói nacional foi o fato de ter sido um dos líderes da Inconfidência Mineira, movimento contra os impostos (cada vez mais pesados) no Brasil, durante o período de 1789 a 1792.  

Joaquim José da Silva Xavier foi também um ativista político no então Estado do Brasil, mera colônia portuguesa. Atuou nas capitanias de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Nascimento: 12 de novembro de 1746, Ritápolis, Minas Gerais. Falecimento: 21 de abril de 1792, Rio de Janeiro.  

A Inconfidência Mineira, movimento articulado em 1788 e 1789, foi uma das primeiras tentativas de independência do Brasil para se livrar do domínio português. E entrou em cena o português Joaquim Silvério dos Reis Montenegro Leiria Grutes (1756-1818), conhecido nos livros como Silvério dos Reis e sinônimo de traição ao movimento da Inconfidência ou Conjuração Mineira, liderado pelo alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Ao dedurar os inconfidentes à Coroa Portuguesa, com a qual estava em débito, Silvério dos Reis teve sua dívida perdoada. Como se vê, as tramoias bolsonaristas vêm de longe.  

“Exaltação a Tiradentes”

Joaquim José da Silva Xavier
Morreu dia vinte e um de abril
Pela Independência do Brasil
Foi traído e não traiu jamais
A Inconfidência de Minas Gerais
Foi traído e não traiu jamais
A Inconfidência de Minas Gerais
Joaquim José da silva Xavier
Era o nome de Tiradentes
Foi sacrificado pela nossa liberdade
Este grande herói
Pra sempre deve ser lembrado

“Exaltação a Tiradentes” – composição: Estanislau da Silva / Mano Décio / Penteado. A música virou um grande sucesso na voz de Elis Regina e Chico Buarque.

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

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