A outra face de Bond - James Bond | Jornal Plural
2 nov 2020 - 13h38

A outra face de Bond – James Bond

O personagem interpretado por Sean Connery, decalque de um ornitólogo que estudava pássaros no Caribe, num filme chegou a ter como cenário as Cataratas do Iguaçu

Falar sobre o ator Sean Connery, que morreu aos 90 anos, implica, necessariamente, em citar James Bond, o agente secreto 007.  E, igualmente pelo do sucesso do personagem, vale lembrar a figura de seu criador: Ian Lancaster Fleming. Mais conhecido como Ian Fleming.  

A ficha completa  

Há uma (velha) edição especial da National Geographic – História Secreta da Segunda Guerra Mundial que traz a ficha do criador do Agente 007. Ian Lancaster Fleming (Londres, 28 de maio de 1908 – Cantuária, 12 de agosto de 1964) foi um militar, escritor e jornalista britânico mais conhecido por escrever romances de espionagem protagonizados por sua criação, o agente secreto James Bond. Que, mais tarde, chegaria às telas dos cinemas. Batendo recordes de bilheteria.  

Um de cada vez  

Mas, como diria o próprio Jack, o Estripador, vamos por partes: trata-se do pseudônimo mais conhecido para designar um famoso assassino em série (não identificado) que, em 1888, apavorou a periferia de Whitechapel, distrito de Londres, e nos arredores.  

Ian Fleming nasceu em uma família rica de ascendência escocesa. O pai foi membro do Parlamento britânico de 1910 até sua morte, em 1917, na Frente Ocidental, na Primeira Guerra Mundial. Fleming estudou em Eton, Sandhurst e, por algum tempo, nas universidades de Munique e Genebra. Isso até virar jornalista.  

De olho na Rússia e Espanha  

Ainda por conta National Geografic: Fleming foi recrutado pelo almirante John Henry Godfrey para trabalhar na Divisão de Inteligência Naval durante a II Guerra Mundial. Participou do planejamento da (não realizada) Operação Goldeneye e da supervisão de duas unidades de inteligência, a 30 Assault Unit e a T-Force. Seu nome de código: 17 F. Quem foi alvo da espionagem: Rússia e Espanha.  

– Seu serviço em tempos de guerra e a posterior atuação como jornalista proporcionaram grande parte do pano de fundo, detalhes, inspiração e profundidade para as aventuras de James Bond. Cassino Royale, o primeiro romance de Bond, foi publicado em 1952. Diante do sucesso, vieram mais 11 romances e duas coleções de contos, publicados entre 1953 e 1966, os dois últimos postumamente. Seus livros centravam-se em James Bond, um agente do Serviço Secreto Britânico conhecido por seu codinome 007. Seus livros estão entre os mais vendidos de ficção de todos os tempos, com mais cem milhões de cópias vendidas mundialmente, colocando-o como um dos autores mais renomados de seu tempo, como destaca a National Geographic – História Secreta da Segunda Guerra Mundial.  

Bond, um sujeito xarope  

Como nasceu o herói: James Bond existiu mesmo. Era um ornitólogo norte-americano que estudava pássaros do Caribe e autor do guia de campo Birds of the West Indies. O próprio Fleming gostava de observar aves e tinha uma cópia do livro de Bond. Para ele, “este nome breve, pouco romântico, anglo-saxão e mesmo assim bem masculino era exatamente o que eu precisava”. Ainda da revista, outra confissão de Fleming:  

– Quando escrevi o primeiro, em 1953, eu queria que Bond fosse um homem extremamente maçante e desinteressante com quem coisas acontecem; eu queria que ele fosse um instrumento cego… Quando eu estava caçando por aí por um nome para meu protagonista eu pensei, “Por Deus, (James Bond) é o nome mais maçante que eu já ouvi”. Fleming também escreveu a história infanto-juvenil Chitty Chitty Bang Bang, que foi adaptada para o cinema e exibido no Brasil com o título O Calhambeque Mágico. Quem bancou o filme foi Albert Broccoli, que ajudou a produzir a maioria dos filmes de James Bond. A MGM e a United Artists, coprodutoras dos filmes do 007, também ajudaram a produzir O Calhambeque Mágico. O nome refere-se a um tipo de carro de corrida antigo, chamado Chitty Bang Bang.  

O super-herói no Paraná  

Por conta das belezas do Rio de Janeiro, no caso o Bondinho do Pão de Açúcar, 007 veio parar no Brasil. O filme: 007 Contra o Foguete da Morte, de 1979. E aí, como na tela do cinema tudo é possível, principalmente quando se tratava do agente secreto, as Cataratas do Iguaçu foram parar na Amazônia. Isso mesmo. Para quem não assistiu: Bond navegava pelo Rio Amazonas quando é atacado pela gangue de Hugo Drax (Michael Lonsdale). Começa a perseguição e, para espanto dos espectadores, principalmente paranaenses, temos como cenário as Cataratas do Iguaçu.  

Um trágico the end  

Fleming bebia e fumava bastante, até sofrer um enfarte do miocárdio em 1964 – morreu aos 56 anos. Mas, por conta do sucesso de Bond, outros autores produziram histórias do agente secreto “a serviço de Sua Majestade”.  

PS: sobre Jack, o Estripador – trata-se de pseudônimo de um assassino em série (não identificado, nem por um possível 007 da época) que espalhou o terror em Londres, por volta de 1888.

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