A lição da pasta de dente | Plural
14 ago 2019 - 21h59

A lição da pasta de dente

“Uma vez que a pasta de dente saiu do tubo, não tem como voltar”, dizia a revista

Lendo a edição deste mês da revista UFO – Revista Brasileira de Ufologia – publicação do Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores (CBPDV), um amigo fez questão de marcar (com caneta Bic) um breve trecho da entrevista de Yvonne Smith, uma estudiosa do assunto. Falando sobre memórias resgatadas via hipnose regressiva, ela cita uma expressão muito conhecida nos Estados Unidos:

– Uma vez que a pasta de dente saiu do tubo, não tem como voltar.

Nosso amigo concordou – e ficou torcendo pra que o Bozo seja um dentifrício de tubinho bem fino e curto.

Nem O Globo perdoa

Aí, pura coincidência, depois de ler, é claro, o Plural, acessou o Conversa Afiada, que reproduzia massacrante editorial do Globo Overseas:

Descontrole de Bolsonaro afeta relações externas

Uma das marcas registradas do deputado e ex-capitão Jair Bolsonaro sempre foi não medir palavras, dando a entender que não pensava antes de abrir a boca em público. Foi assim que se sobressaiu na obscura bancada do baixo clero na Câmara. Escapou do ostracismo pela incontinência verbal.

Com 28 anos de mandatos em Brasília, lançou-se ao Planalto sem qualquer chance visível. Continuou falastrão na campanha, venceu as eleições e pensou-se que moderaria o discurso, para se adequar à liturgia e à representatividade do cargo que passou a ocupar.

Sete meses e meio de mandato demonstram que Bolsonaro continua o mesmo — como disse ao GLOBO —, sem dar importância aos estragos institucionais que provoca, não só internamente.

Nos últimos dias, o presidente tem sido especialmente produtivo em falar o que não deve, em usar termos chulos, em investir contra o decoro da Presidência da República.

À costumeira agressividade de quando trata de temas políticos, sempre abordados de maneira radical, Bolsonaro acrescentou uma fixação escatológica. É no mínimo exemplo de má educação, de inconveniência. Por partir de um presidente da República, não passa despercebido no mundo, e isso afeta a imagem do país, com prejuízos concretos. No descontrole em que se encontra Bolsonaro, interesses diplomáticos envolvendo a economia já começam a ser afetados.

A oposição à preservação do meio ambiente, uma característica da extrema direita mundial, tem sido exercida como se Bolsonaro ainda estivesse no baixo clero. Seu governo, com o ministro do Meio Ambiente à frente, Ricardo Salles, procura romper por completo o acordo com Alemanha e Noruega, que sustentam o Fundo Amazônia com bilhões em doações, para apoio a projetos sustentáveis na região.

A dirigente de um dos mantenedores do fundo, Angela Merkel, chanceler da Alemanha, foi desrespeitada pelo vice-presidente, Hamilton Mourão, que, no estilo Bolsonaro, declarou que ela tem apresentado tremores em público depois de receber uma “encarada de Trump”.

Com o desconcertante ataque ao Fundo Amazônia, entre outros atos, Bolsonaro dá pretexto para que França e Alemanha, cujos agricultores e certas indústrias desgostam do acordo entre a UE e o Mercosul, tirem o apoio ao tratado comercial. Um revés para o Brasil.

A vitória da chapa peronista Alberto Fernández/Cristina Kirchner nas primárias argentinas contra o presidente Mauricio Macri, de centro-direita, mereceu de Bolsonaro uma reação também nada protocolar. Alertou os gaúchos para o risco de a “esquerdalha” transformar a Argentina em nova Venezuela, e o Rio Grande do Sul, outro Roraima, porta de entrada de venezuelanos no país.

Bolsonaro se esquece do Mercosul, do nível de integração que já existe entre os dois países, com a Argentina sendo forte importador de produtos manufaturados do Brasil. O presidente se torna um risco para o país.

O jornal austríaco Die Presse publicou uma reportagem na terça-feira, 13/VIII, em que chama o Presidente (sic) Jair Bolsonaro de “idiota”.

Com o título “O Brasil elegeu um idiota”, a publicação comenta as teorias conspiratórias criadas por Bolsonaro e sua tentativa de reescrever a história.

Die Presse critica, ainda, a indicação de Eduardo Bolsonaro à Embaixada do Brasil em Washington (EUA).

“Sete meses depois de assumir o cargo, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, não se contém. Ele é um mentiroso, espalhando teorias da conspiração e tentando nomear seu filho embaixador nos Estados Unidos”, finaliza o texto.

Aí, o nosso amigo lembrou Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas:

– Viver é muito perigoso.

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