11 out 2021 - 8h15

Escolas apostam na educação emocional das crianças

As novas diretrizes curriculares possuem como pilar central o desenvolvimento das competências dos alunos para uma inserção mais consciente e capacitada na sociedade

Os crescentes casos de crianças com insegurança, timidez e falta de empatia tem mobilizado pais, professores e especialistas para transformar este cenário. Um dos sintomas mais evidentes do problema é a falta de senso crítico e de sabedoria para lidar com conflitos. O tratamento e acompanhamento das emoções das crianças nas escolas visa remodelar a forma de convivência familiar e escolar. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) implementou novas diretrizes curriculares, que poderão ser moldadas pelas instituições de ensino de acordo com sua estrutura e região em que estão localizadas. O intuito é estimular os alunos no gerenciamento de suas emoções para que se tornem jovens e adultos preparados para uma vida em sociedade mais saudável.

A professora de inteligência emocional Rosani Daron Barros fala da importância de estimular as competências socioemocionais dos alunos do ensino fundamental e médio. Dentre as questões a serem trabalhadas estão empatia, solidariedade, altruísmo, autoestima, uso inteligente da internet, pensar antes de agir e reagir, ser gestor do seu próprio eu e ser autor da própria história. “Para complementar estes estudos trabalha-se concomitantemente o componente curricular ‘Projeto de vida’, um dos pilares do Novo Ensino Médio. Será a partir dele que os alunos traçarão seus planos de estudos e, assim, serão capazes de fazer a escolha dos Itinerários Formativos de maneira mais assertiva”, explica Barros.

Mãe da aluna Isadora do 9.º ano do ensino fundamental, Eliane Pasqual Rodrigues aponta melhorias no comportamento da filha adolescente após a inclusão do projeto. “Percebi diferença em relação a algumas atitudes, respostas e ações comportamentais. Houve uma melhora significativa no que diz respeito aos relacionamentos interpessoais, bem como melhorou a concentração e o desempenho escolar. Acredito que o programa tem grande importância no desenvolvimento de habilidades socioemocionais para auxiliar e, de certa forma, minimizar a turbulência de emoções e sentimentos que a adolescência causa”.

A missão da família

A implementação das novas diretrizes curriculares pretende auxiliar os professores na aplicação de ferramentas que contribuem para a formação de indivíduos resilientes, empáticos e gestores de seus pensamentos e ações. Além disso, visa a prevenção de transtornos psíquicos, ansiedade, fobias, timidez, agressividade, autopunição e dependência de álcool e drogas.

Entretanto, a família possui o papel fundamental de ensinar as crianças e jovens a preservar, enriquecer e expandir as heranças de amor, afeto, tolerância, generosidade e educação intelectual, para que se tornem sucessores dos valores herdados. A arte de duvidar, criticar e a determinação para a resolução de problemas, também devem ser trabalhadas em casa.

O psicólogo e professor Adriano Schlosser expõe a necessidade de entender a regulação emocional: “A minha emoção também pode causar emoções nas outras pessoas e também promover coordenação social, suscitando ou desencorajando comportamento nos outros. As emoções fazem parte da nossa natureza e precisam ser reconhecidas. Indivíduos que têm dificuldades no reconhecimento de suas emoções, normalmente são introspectivos demais ou reativos demais, sendo movidos por esses estados internos. A regulação emocional, por sua vez, vai permitir que de forma consciente, planejada e racionalizada possamos elaborar nossas emoções de forma assertiva”.

Movidos pelo sentimento de proteção dos filhos a qualquer tipo de sofrimento, os pais podem acabar tornando as crianças pouco preparadas para situações difíceis. Num primeiro momento, esta é uma atividade aparentemente natural, por outro, a não exposição das crianças às suas emoções podem causar prejuízos. A tristeza e a raiva, por exemplo, não são emoções ruins, e sim necessárias para o desenvolvimento humano que, quando utilizadas de maneira adequada, são extremamente necessárias para impulsionar as atividades do dia a dia que exigem energia e tomadas de decisão.

A união de familiares e professores no processo educacional de inteligência socioemocional é tão fundamental quanto as matérias ministradas em sala de aula. Com ela, os jovens se tornarão adultos mais seguros, competentes e certeiros em suas vidas, agindo com respeito às diferenças.

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

Um comentário sobre “Escolas apostam na educação emocional das crianças

  1. Parabéns pela escolha desse tema, sempre importante, mas que se tornou essencial diante dos hábitos que estamos desenvolvendo e do atual cenário social, econômico e político. O excesso de “telas”, dificuldade de ler com concentração e análise crítica, tem se acentuado, resultando em crianças, adolescente e adultos cada vez mais passivos e insensíveis. Temos que reverter essa realidade. A elaboração do “Projeto se Vida ” é uma excelente iniciativa. Parabéns, jornalista, pela exposição desse tema de forma objetiva e assertiva.

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