4 abr 2022 - 8h00

Desobrigação do uso de máscaras divide opiniões

Curitiba está entre as 16 capitais que acabou com a obrigatoriedade do uso de máscaras em locais abertos e fechados

Pelo menos 23 capitais brasileiras flexibilizaram o uso de máscaras em ambientes abertos. Desse total, dezesseis foram adiante e decretaram o fim da obrigatoriedade das máscaras também em ambientes fechados. Curitiba está entre elas.

A flexibilização está baseada na alegação de que houve significativa baixa nos números da covid-19, além do avanço na vacinação em todo o país. A atual média móvel de mortes diárias é de 217. Há 30 dias esse número era de 345 óbitos. Desde o início da pandemia já foram perdidas mais de 659 mil vidas.

A decisão de dispensar o uso das máscaras, no entanto, não é unanimidade na comunidade científica. A bióloga molecular em virologia, Rejane Maria Grotto alerta em recente entrevista para o podcast da Unesp que a medida ainda é precipitada: “Podemos analisar o cenário mundial. Quando fazemos isso percebemos que na China, no Reino Unido, na Alemanha e em outros países da Ásia e da Europa observam um aumento no número de casos de covid-19. Esse aumento coincide com a maior circulação da variante BA.2, que é uma variante da Ômicron. Essa variante tem uma maior taxa de transmissibilidade que a Ômicron original. No entanto, não se pode atribuir essa elevação do número de casos internacionalmente somente ao aumento dessa variante. Porque a gente não pode descartar que essa elevação também coincide com o fato de o uso de máscaras deixar de ser obrigatório”.

Além dos problemas sanitários envolvendo a flexibilização do uso das máscaras, a saúde mental também pode ser afetada por esse ato. Após dois anos usando máscaras e praticando o distanciamento social, especialistas acreditam que essa flexibilização pode gerar uma onda de ansiedade em algumas pessoas.

A psicóloga Jéssica Campos explica que “o impacto que isso pode ter é gerar uma ansiedade, pessoas que às vezes tem um quadro de TAG (transtorno de ansiedade generalizada), uma síndrome do pânico, pode aumentar”.

Opiniões diferentes

Pesquisa DataFolha divulgada em dezembro de 2021 apontava que 48% das pessoas achavam importante a obrigatoriedade do uso de máscaras em locais abertos e fechados. Naquele momento o país aguardava a chegada da onda provocada pela Ômicron. É possível que agora o fim do uso da máscara seja mais aceito, como já se percebe nos locais públicos.

O professor Fernando Scoczynski Filho é contra o fim da obrigatoriedade. “Ainda não me sinto seguro ou confortável para ficar sem a proteção no rosto. Vejo que há outros que pensam como eu. É bom saber que existem mais pessoas que ainda se preocupam com a saúde própria e dos outros, e é especialmente por essas pessoas que continuo usando a máscara.”

A vacinação em adultos e crianças segue no Brasil. Mais recentemente, o Ministério da Saúde anunciou que recomenda a aplicação de uma segunda dose de reforço aos idosos acima de 80 anos.

Orientador: Guilherme Carvalho (professor e jornalista)

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

3 comentários sobre “Desobrigação do uso de máscaras divide opiniões

  1. Os dados que demonstram a queda contínua dos casos, internamentos, óbitos etc… após a retirada da obrigatoriedade das máscaras, não eram um dado relevante para a matéria, Plural? Ou apenas não atendia à narrativa desejada pelo veículo? Simplesmente omitiram O ÚNICO dado concreto e objetivo que poderia formar opinião sobre o assunto…

    1. Oi leitor, o texto que você está comentando é um artigo do projeto Foca no Jornalismo, não uma reportagem da equipe do Plural (note o /colunas/ na URL do texto, o alerta no fim do texto e a indicação do professor orientador do projeto). Certamente o dado de redução de casos é relevante, mas discordo que seja o único dado concreto, principalmente se considerarmos que naturalmente há uma redução de casos com a imunização da maior parte da população. No entanto, mesmo que em menor número, há populações importantes ainda expostas e sem imunizante, em especial as crianças. Abraço

  2. “A atual média móvel de mortes diárias é de 217. Há 30 dias esse número era de 345 óbitos.”
    Os dados com queda de casos está aqui, leitor.

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