5 fev 2022 - 10h30

Como soam os sons

Estamos acostumados a imaginar os instrumentos com apenas uma possibilidade de som

Imagine comigo: um longo arco de violino friccionando uma corda solta, produzindo um som continuo, que nunca para, mesmo que o arco precise subir e descer várias vezes.

Agora imagine esse mesmo arco passando por uma placa de metal – que som é esse?

Estamos acostumados a imaginar os instrumentos com apenas uma possibilidade de som. Quando imaginamos um violino, algo soa em nossas mentes, e, provavelmente, esse som é feito por um arco. Mas um arco tem mais possibilidades de som do que apenas a que relacionamos rapidamente a ele.

Aprendemos os sons dos instrumentos de maneira muito simplista. Nós podemos falar com inúmeros tons de voz, repertórios de palavras, entonações e volumes que nos fazem soar diversos, ainda sendo nós mesmos. Com os instrumentos, não é diferente. As possibilidades técnicas de um instrumento exploram o som de maneira ampla, tridimensional.

Altura, intensidade e timbre são as dimensões que os sons têm. A altura nos comunica se é grave médio ou agudo. A intensidade nos transmite o volume do som. E o timbre nos faz identificar quem ou o que está soando.

Só que tudo que soa pode soar além da sua maneira ordinária. Até os instrumentos (e pessoas) que parecem mais clássicos, rígidos ou enrijecidos. As possibilidades de como tocar um instrumento vão muito além das convencionais. E isso amplia o léxico musical, e o que entendemos por música.

Timbre é aquilo que nos identifica. Um papel timbrado tem uma identificação que imprime validade a ele. O timbre de um instrumento nos conta quem ele é. Mas ninguém nem nada é um som só, uma característica só ou uma existência só.

Piano. Foto: Mateusz Dach/Pexels.

Muitos são os violinos, os violões, as flautas e os cantores. Muitas são as orquestras, as bandas e coros. Muitas são as músicas clássicas, populares, de concerto, de show, de teatro musical, de filme. Muitos são os critérios que nos fazem ouvir algo.

Se há algum som, algum instrumento, algum estilo ou algum modo de musicar que te pareça duro, chato ou distante de você, reouça. Provavelmente há alguma outra maneira daquilo soar que pode comunicar mais contigo, que pode te tocar.

E quando algum som nos toca, nós soamos junto aquele som, fazemos parte daquele timbre que soa. E isso muda tudo ao nosso redor.

Se quiser saber como um arco pode soar em uma placa de metal:

Se quiser saber como um arco pode ser múltiplo em um violino:

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Os comentários feitos em textos do Plural são moderados por pessoas, não robôs, e não são publicados imediatamente. Não publicamos comentários grosseiros, agressões, ofensas, acusações sem provas nem aqueles que promovem tratamentos sem comprovação científica.

Últimas Notícias