Educação: países com maior nível educacional mundial - Jornal Plural
12 out 2021 - 8h15

Educação: países com maior nível educacional mundial

O país com maior índice educacional do mundo, é a Coréia do Sul, uma democracia liberal. Segundo o ranking, o país asiático conta com 69,8% de sua população total completando ensino básico e superior

Na semana passada, fui convidado para ser um dos panelistas no maior congresso internacional de educação mundial. No evento, foi tratado a correlação entre os países que mais investem em educação básica e superior, e o futuro da mobilidade internacional. Segundo a Unesco, até 2018, 5.6 milhões de estudantes internacionais viajavam no mundo, buscando desde programas de curta duração, como cursos de língua estrangeira, acampamentos de verão / inverno para jovens, até ensino médio e ensino superior para adultos e profissionais.

Durante a pandemia do Covid-19, obviamente, grande parte dos estudantes com planos de viver fora de seus países diminuiu, devido às restrições de fronteira, atraso no processamento de vistos, etc.

Mas a partir do momento em que as fronteiras novamente se abrem, e a mobilidade dos estudantes retoma, há inclusive a chamada “Quarta Onda do Intercâmbio”, com a expectativa de 7 milhões de estudantes internacionais, apenas para programas de ensino superior no mundo, para 2030.

Há grande mobilidade entre os nossos países vizinhos, por exemplo. A Argentina, recebe mais de 116 mil estudantes internacionais a cada ano, tendo a sua maioria advinda do Peru, da Colômbia, do Chile e do Brasil. Mas alguns países surpreendem pelo investimento que já fazem domesticamente, para oferecer educação básica de maior qualidade, com foco em tornar sua população mais competitiva e com maior nível de empregabilidade local e mundial.

Segundo a revista Newsweek, 12 países lideram o percentual mundial de sua população com nível básico (de séries iniciais ao médio) ao ensino superior / técnico. São eles, Coréia do Sul, Canadá, Rússia, Japão, Irlanda, Lituânia, Luxemburgo, Suíça, Áustria, Reino Unido, Estados Unidos e Holanda.

O país com maior índice educacional do mundo, é a Coréia do Sul, uma democracia liberal. Segundo o ranking, o país asiático conta com 69,8% de sua população total completando ensino básico e superior. Tendo pelo menos 90% dos jovens entre 3-17 anos de idade estão matriculados na escola, entre os de 15-19 anos, 87% estão estudando e pelo menos 50% entre 20-24 anos de idade foram para a faculdade. Resultando em maior qualificação geral do país e, por conseguinte, um resultado superior à empregabilidade média mundial. E ainda, o país vêm crescendo a busca de alunos internacionais, abrindo portas para que muitos, inclusive brasileiros, possam ingressar tanto no ensino médio quanto no superior, de forma mais facilitada e menos custosa. Semana passada, inclusive, participei de um congresso internacional, e tive a honra de assinar um contrato de parceria com uma grande universidade da Coréia do Sul. Eles irão oferecer cursos em inglês, além de bolsas parciais à brasileiros interessados em graduação e mestrado no país.

Já o segundo colocado no ranking, é o queridinho número um do brasileiro como destino educacional há mais de 18 anos seguidos: o Canadá. O país tem uma democracia parlamentarista. E de acordo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), conta com 63% da sua população com formação completa, do ensino básico ao superior / técnico. Entretanto, analisando o sistema de formação do país (cuja inspiração deu-se no sistema educacional da Alemanha), grande parte da sua população adulta está muito acima da média mundial em terminar um ensino técnico superior. Porém, o país ainda conta com um número abaixo da média mundial quando se compara o número de adultos com mestrado e doutorado no país. E isso é compreensível. Tendo em vista o grande suporte que programas técnicos e vocacionais tem junto à instituições de ensino públicas, os Colleges e Cegéps (no caso do Quebéc). O alto nível de empregabilidade, tendo uma média de 89 a 98%, de seus egressos saindo ao mercado de trabalho empregados na área de formação. Já as 97 universidades, são mais procuradas para programas de desenvolvimento científico e acadêmico. Semana passada, inclusive, estive em reuniões com a cônsul geral do Canadá, Heather Cameron, e uma delegação do país. E tive a oportunidade de ver como o Canadá leva a sério seu compromisso com o tema Educação. Tanto que a diversidade, e o investimento nas instituições educacionais do país, tanto públicas quanto privadas, para receber alunos internacionais conta com foco total do governo. Só no Brasil, há 6 escritórios do consulado canadense. Cada um com uma gerência e uma pauta específica, como agronegócio, ciência e tecnologia, etc. Mas todos, têm como responsabilidade cuidar dos aspectos de promoção educacional do país junto ao Brasil.

Países como Reino Unido (51,8%), Estados Unidos (50,8%) e Holanda (49%) estão respectivamente nas décimas, décimas primeiras e décima segunda colocações entre os países que tem o maior índice da sua população concluindo ensino médio e a faculdade. Assim como são os países que aumentam o número de Brasileiros em suas salas de aula. Devido a buscas dos mesmos em diversificar e trazer oportunidades à latino-americanos que buscam maior qualificação e empregabilidade a nível global.

O Brasil, não foi citado pelo ranking. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) mais recente de 2019, 11 milhões de brasileiros acima dos 15 anos de idade são analfabetos, 52% da população acima de 25 anos não conclui ensino básico, considerando quando se encerra o ensino médio. Dados estes, que terão impacto significativo após a pandemia do COVID-19.

De acordo com um artigo da Cambridge University Press, que países que investem mais em educação, têm 20% mais chances de escolher um líder melhor qualificado. Como citado anteriormente, países que investem mais em educação básica e superior de seus cidadãos, trazem não somente maior desenvolvimento geral da nação, mas maior empregabilidade e menor distanciamento social e econômico.

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Últimas Notícias