CAU/PR lança campanha contra ensino a distância em arquitetura e urbanismo

Conselho entende que a formação profissional carece de intensa relação professor-aluno em ateliês, laboratórios e canteiros experimentais das Instituições de ensino superior

Assim como a medicina, o direito e outras importantes profissões, a arquitetura e o urbanismo são atividades relacionadas à preservação da vida e bem-estar. Por esse motivo, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Paraná entende que o ensino a distância em arquitetura e urbanismo é uma modalidade que deve ser rechaçada, já que a formação profissional carece de intensa relação professor-aluno em ateliês, laboratórios e canteiros experimentais das Instituições de ensino superior. A campanha do CAU/PR “Diga não ao EAD” é uma maneira de alertar a comunidade acadêmica e a sociedade para os riscos da manutenção desta prática.

A função primária de um conselho profissional é defender a sociedade. Neste sentido, não podemos nos furtar de ressaltar para os perigos de uma formação acadêmica deficiente, assim como alertar aos estudantes de arquitetura e urbanismo para a armadilha em que algumas instituições os estão colocando, uma vez que o registro profissional junto CAU não é garantido para alunos de cursos EAD.

Atelier de projeto, laboratórios, maquetaria, restauro canteiros experimentais, interação professor-aluno e vivência acadêmica são características que os estudantes de arquitetura e urbanismo só terão no curso presencial. Essas experiências são fundamentais para a formação deste profissional indispensável para a sociedade.

Tanto os arquitetos e urbanistas como os estudantes sabem que cada projeto é único. A paisagem na cidade não se repete, mesmo em projetos iguais (apartamentos por exemplo), a arquitetura de interiores fornece soluções inovadoras e exclusivas. E isto acontece desde a microescala até a macroescala, desde o planejamento de bairros, até o de cidades. Esta é uma característica fundamental e inerente ao trabalho do arquiteto e urbanista, já que cada família, região ou local tem uma demanda diferente. A capacidade de entender todas estas características só é possível num ensino presencial, em ateliês e por meio de orientação individualizada. O “ensino enlatado”, gravado e repetido igualmente para qualquer lugar do Brasil não gera as habilidades necessárias e a segurança para a sociedade na contratação de profissionais.

Ainda em 2017, a Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo (ABEA) publicou uma carta aberta contra o ensino a distância para a graduação. Nela, a entidade reforça que sempre discutiu novas ferramentas de linguagem e expressão, entre elas a utilização de recursos tecnológicos para o ensino. Porém, enfatiza que as condições físicas e espaciais das salas de aula proporcionam maior pluralidade e o exercício de diferentes tipos de linguagem, expressão, prática, pesquisa, concepção e desenvolvimento que fomentam o processo criativo. O Ateliê de Arquitetura e Urbanismo é, segundo a ABEA, o espaço facilitador para a construção coletiva do conhecimento; é o espaço que permite a integração professor/aluno e aluno/aluno. Além disso, cursar arquitetura e urbanismo na modalidade EAD não garante o registro profissional no CAU.

A luta contra o EAD não é pela reserva de mercado, mas uma batalha pela segurança da sociedade e das cidades. Um ensino 100% à distância não é capaz de proporcionar a formação adequada ao profissional. A prática é indispensável no aprendizado da arquitetura e urbanismo, e isso se dá nos ateliês e nos laboratórios do curso presencial.

A campanha “Diga não ao EAD” do CAU/PR, faz parte de um movimento nacional das entidades e Conselhos de Arquitetura e Urbanismo de todo Brasil, sendo um manifesto de proteção da sociedade, por entender que a formação profissional via esta modalidade de ensino tem deficiências, e representa um risco para todos.

Participe da campanha e compartilhe nossas publicações pelas redes sociais. “Diga não ao EAD!”

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