Votação do Escola sem Partido será inútil, mas épica | Jornal Plural
10 maio 2019 - 11h21

Votação do Escola sem Partido será inútil, mas épica

Vergonhosamente ilegal, projeto será derrubado depois de aprovado. Mas Traiano quer votá-lo mesmo assim

Por uma estranha decisão do presidente Ademar Traiano (PSDB), a Assembleia Legislativa do Paraná deve votar nas próximas semanas o projeto do Escola sem Partido. A decisão é esquisita porque, seja lá qual for, o resultado tende a ficar irrelevante em pouquíssimo tempo. Isso porque:

1- O Judiciário já se pronunciou dizendo que a proposta é inconstitucional

2- O Congresso vai votar o mesmo tema, tornando votações estaduais obsoletas

Mesmo assim, Traiano fez o projeto tramitar nas comissões e, assim que pôde, anunciou que vai levar o caso a plenário. O que faz imaginar que ele quer mesmo é o “pioneirismo”. Ou seja: o Paraná ainda aprovaria isso antes de o Congresso decidir. Por quê? Provavelmente porque isso garantiria uma certa dose de holofotes para os proponentes da ideia. Depois da votação no Congresso, eles não conseguiriam dar entrevista sobre isso nem para a rádio do bairro.

A votação tende a ser escandalosa. Por quê? porque os proponentes da Escola sem Partido tendem a ser escandalosos. Gostam de fazer ruído com a sua inacreditável teoria de que há uma invasão de comunistas nas salas de aula brasileiras. Perigosos grasmscianos gayzistas, feminazis de foice e martelo no peito, gente interessada em perverter criancinhas. Um cenário apocalíptico que lhes convém, à medida que eles teriam um antídoto para o problema imaginário.

De outro lado, quem conhece as salas de aula e sabe que isso é apenas um artifício para censurar os professores e impedir que se discutam certos temas com os alunos, se irrita com a flagrante estratégia dos conservadores.

O projeto já foi considerado ilegal por todo mundo, da OAB ao Ministério Público, chegando inclusive a um ministro do Supremo. Eles sabem disso, sabe que estão atropelando a lei e a lógica. Mas sabem também que na próxima eleição poderão dizer que lutaram contra esse monstro imaginário – e assim como há gente que acredita na Terra plana e na astrologia, haverá quem acredite que os deputados estaduais salvaram nossos filhos das garras da KGB.

É pena que se faça política assim. Mas é assim que ela é feita por essas terras.

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