Se Flavio Bolsonaro for inocente? Continua havendo um problema | Jornal Plural
21 jan 2019 - 0h00

Se Flavio Bolsonaro for inocente? Continua havendo um problema

Digamos que Flávio Bolsonaro seja inocente. Que jamais tenha pedido um mísero real para um único assessor. Que tudo seja uma imensa coincidência e que…

Digamos que Flávio Bolsonaro seja inocente. Que jamais tenha pedido um mísero real para um único assessor. Que tudo seja uma imensa coincidência e que no fundo haja uma explicação para absolutamente todos os fatos estranhos que apareceram nos últimos tempos. Mesmo assim, esse deveria ser um motivo de preocupação e – sim – de mudança da regra do jogo.

Sabe quantos funcionários um mero deputado estadual do Rio de Janeiro pode ter? São 20 cargos por gabinete. Agora me diga: para que um deputado precisa de 20 assessores? Uma secretária, um assessor jurídico, um assessor de imprensa… Que mais? Um chefe de gabinete, vá lá. Vamos falar claramente: o resto está lá para fazer campanha.

E neste caso a culpa nem é do filho do Bolsonaro: é da Assembleia do Rio, que garante isso a cada um dos 70 parlamentares da casa. Mas não é só: cada cargo, se “necessário”, pode ser fracionado em outros menore.s Ou seja: ao invés de contratar uma pessoa por R$ 6 mil, pode-se chamar três por R$ 2 mil cada.

No total, cada deputado pode ter SESSENTA E TRÊS funcionários para seu gabinete. Eu não conheço os gabinetes da Assembleia do Rio, mas é óbvio que não deve haver espaço para tanta gente.

Agora, imagine um deputado que, além de deu mandato, tenha um cargo na Alerj. Não precisa nem ser o presidente: um mero líder de bancada, como, aliás, é o caso de Flávio Bolsonaro: além dos cargos comissionados regulares, ele ganha mais alguns adicionais. Porque aparentemente SESSENTA E TRÊS PESSOAS já não dão conta do recado.

É evidente que é feito pra não funcionar. Que é uma gastança infinita e sem propósito. No fim das contas, são 4,2 mil comissionados na Alerj, o que, segundo reportagem da Globo News, significa que 87% dos servidores são de livre indicação política.

Esse pessoal não tem qualquer condição de dizer não para o político. Não tem concurso, não tem estabilidade. Se não aceitar o que o cara pede, no outro dia está no olho da rua. Se o sujeito mandar devolver 10%, 20% do salário, a maioria vai aceitar – porque senão fica sem emprego.

Esse tipo de cabide de emprego vem causando escândalo atrás de escândalo nas Assembleias estaduais. No Rio mesmo, teve gente presa em 2018. No Paraná houve o caso dos Gafanhotos, depois os Diários Secretos. Não é difícil perceber o que está acontecendo.

Mas não se preocupem. Com o descalabro financeiro do Rio, porém, a Alerj já tomou uma primeira medida importantíssima de saneamento. Agora, cada cargo dos gabinetes só pode ser dividido em dois. Assim, portanto, o gasto segue igual. Mas cada deputado só poderá ter QUARENTA assessores à sua disposição. A não ser que seja líder, claro. Afinal, ninguém é de ferro.

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