Se eu reclamar do IPTU, o Greca deixa de graça? | Jornal Plural
15 jun 2020 - 20h44

Se eu reclamar do IPTU, o Greca deixa de graça?

Prefeito decidiu que mais vale beneficiar empresários do que salvar as vidas dos curitibanos

No sábado que passou (13), soubemos oficialmente pela secretária de Saúde de Curitiba que a situação da epidemia de Covid na cidade é dramática. Mortes todo dia, casos às dezenas, curva crescente. Era preciso fazer alguma coisa: passamos para a tal bandeira laranja, que previa fechamento de várias atividades.

Todos os jornalistas da cidade foram conferir o que fechava na bandeira laranja (mentira, claro, tem gente que jamais se disporia a checar uma informação oficial). Era fácil, a própria prefs havia distribuído a tabela. E estava lá: deveriam fechar igrejas, bares, academias e… shoppings.

Já na hora, Marcia Huçulak disse que os shoppings não fechariam. A explicação era meio confusa: aparentemente os donos de shoppings foram bons meninos e iam ganhar um presente de Natal antecipado.

Os donos de academia sentiram que havia espaço para manobra. Que a prefeitura que vem sendo tigrona com os curitibanos comuns (quem não lembra da secretária gritando: Tá Proibido! Será que Assim vocês entendem???) virou tchutchuca com os grandes empresários. Amarelou.

Numa reunião, menos de 48 horas depois de um protesto em frente à casa do prefeito, Greca decidiu que os donos de academia também tinham escovado os dentes direitinho, trataram bem a irmãzinha e não fizeram xixi na cama. Podiam abrir normalmente!

É evidente que os donos de bares já sabiam o que fazer: basta reclamar e serão atendidos. A prefeitura de Rafael Greca se tornou uma grande Porta da Esperança em que todos aqueles com rendimento mensal acima de R$ 50 mil serão atendidos.

Porque evidentemente o surto de bondades não vale para todo mundo. Ou se eu pedir para cancelar meu IPTU o prefeito vai deixar tudo de graça?

A bandeira laranja não serviu de nada. Tudo continuará aberto porque o prefeito, em ano de reeleição, está se comportando como um Papai Noel que presenteia todo o empresariado com lucro fácil – e os curitibanos com um aumento de mortes daqui até a eleição.

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

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