Saudades do Vélez | Jornal Plural
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3 maio 2019 - 7h00

Saudades do Vélez

O decreto de contingenciamento das verbas das federais é equivalente a um ato de terrorismo

Abraham Weintraub é um daqueles sujeitos capazes de despertar as mais inusitadas nostalgias. Vendo em ação o novo titular do MEC, fica fácil por exemplo sentir falta de Ricardo Vélez Rodriguez – um ministro que mandava cantar hino, nos chamava de canibais mas, pelo menos, não punha em risco a continuidade do ensino superior público brasileiro.

O atual governo tem esse condão. Quando você acha que chegou ao ponto mais baixo possível, os bolsonaristas abrem sua sacola de birutices, esquisitices e maldades para tirar lá de dentro uma Damares, um chanceler olavista ou um ministro da educação que é contra a educação.

O decreto de contingenciamento das verbas das federais é equivalente a um ato de terrorismo. O país, que desde o caso do Rio-Centro não convivia com atentados promovidos por autoridades, tem dificuldade em perceber o que está acontecendo. Mas, sim, um grupo armado e perigoso decidiu atacar 63 das mais importantes instituições de ensino do Brasil, simultaneamente.

Claro que, ao melhor estilo do bolsonarismo, o ataque não foi planejado nem bem feito. Foi feito aos solavancos, começando com uma conversa paranoica sobre “balbúrdia” que levou, sabe-se lá por qual raciocínio esquizoide e pouco elaborado, à ideia de que era preciso acabar de vez com tudo isso que está aí.

O resultado é que, graças a Weintraub, o aniquilador de universidades, o Brasil poderá não ter mais ensino superior público funcional a partir de agosto. ou setembro. Sobrarão as ruínas neoclássicas da UFPR e de suas congêneres para nos lembrar que um dia houve um projeto de educação nesse lugar que, em algum momento, prometeu ser um país.

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