Relação de Requião com o MDB mudou a política paranaense - Jornal Plural
31 jul 2021 - 14h33

Relação de Requião com o MDB mudou a política paranaense

Ex-governador deixa o partido e diz ter sido derrotado por Ratinho

“Fiquei surpreso, não esperava uma coisa tão avassaladora”, disse por telefone Roberto Requião no começo da tarde deste sábado. Depois de 40 anos de partido, trinta deles com amplo domínio da executiva paranaense, o ex-governador foi derrotado pelos parlamentares na convenção estadual. Imediatamente, como havia anunciado que faria, disse que está se desfiliando.

A ligação entre o MDB e Requião não só é antiga como modelou a política local nas últimas décadas. O primeiro mandato veio em 1982, na época em que o país começava a voltar à democracia. Requião entrou no partido que era o símbolo da resistência aos militares, e que na época era liderado, entre outros, por José Richa, Alvaro Dias e Euclides Scalco. Três anos depois, depois de um mandato arrasador na Assembleia Legislativa, se tornaria prefeito da cidade.

Desde então, Requião disputou todas as eleições que pôde para o governo do Paraná. Excetuadas as vezes em que a reeleição não era permitida pela lei, foi candidato de quatro em quatro anos até 2018, quando aos 78 anos foi derrotado para o Senado. Foram três mandatos como governador, o recorde para o estado, além de dois mandatos como Senador.

Além do tempo de governo, Requião também fez história junto com o MDB ao dar para o Paraná seus governos de maior investimento em políticas sociais. Com fortes tendências à direita, o estado viu em Requião uma exceção. Enquanto seus antecessores e sucessores se preocupavam mais com montadoras de carros e agronegócio, Requião preferiu políticas como empréstimos baratos para pequenos agricultores, leite para crianças carentes e o financiamento de tratores para pequenas plantações.

Tendo se tornado um gigante de votos, Requião foi acumulando aliados interessados em cargos e votos. Enquanto teve o poder nas mãos, esteve sempre rodeado de parlamentares fiéis. No entanto, sem mandato no executivo há onze anos, Requião passou a ser visto como alguém que não estava dando aos deputados aquilo que lhes interessava: perspectiva de poder. No governo de Beto Richa, o partido manteve um jogo duplo. Agora, com Ratinho parecendo fadado à reeleição, decidiram que era hora de romper de vez.

A chapa formada por Anibelli Neto e Sérgio Souza tem interesses pragmáticos: permanecer próxima a Ratinho e garantir uma fatia maior de cargos. Requião diz que se recusa a isso. “Acabou o MDB. Fundei o partido e fui derrotado pelo Rato e pelo Bolsonaro.”

Aos 80 anos, Requião ainda tentou uma manobra falando em se candidatar ao governo, mas seus pares não parecem ter comprado o blefe. Agora, Requião diz que não tem pouso certo. “Não tenho decisão por nenhum partido. Tem até março para decidir”, diz ele em referência ao prazo exigido pela lei para candidaturas. Por enquanto, fica o gosto amargo da despedida da antiga casa. “Mas não tem importância. O importante não é ganhar, é estar certo”, diz ele.

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

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