28 jan 2021 - 13h42

Ratinho diz que APP não representa professores

Governador diz que está ganhando “guerra” contra sindicato

O governador Ratinho Jr (PSD) adota um discurso cada vez mais parecido com o do seu antecessor, Beto Richa (PSDB) na gestão da educação pública. Nesta quarta-feira (27), em entrevistas à Record e à Jovem Pan (que também eram uma espécie de canal oficial para entrevistas de Beto, na época de Denian Couto), Ratinho basicamente disse que o sindicato dos professores é ilegítimo.

“Já se notou, historicamente, que a APP não é um sindicato que representa os professores. Eles representam um partido político. Isso está muito claro, a sociedade conhece e já está explícito. Quando você não tem uma bandeira legítima, você está desmoralizado.”

Mais do que isso, o governador falou em uma “guerra” entre o governo e o sindicato:

“Ganhamos todas as guerras com a APP. Todas. Nos dois anos que estou no governo, eles não ganharam nenhuma. Porque nossas teses estão convencendo a população, o Judiciário e o Ministério Público de que aquilo que estamos implantando é o melhor para os jovens e os professores.”

Quanto à existência de uma guerra, o governador pode estar certo. Desde a gestão de Beto Richa, o governo do estado parece ver os trabalhadores da educação e muito especialmente seus representantes sindicais como inimigos. No mandato de Richa, a APP e o fórum que reúne os demais sindicatos do funcionalismo foram, para dizer a verdade, a única oposição substantiva que o governo enfrentou.

Agora, aparece o discurso da ilegitimidade. Como sempre, tenta-se atrelar a APP a um grupo político, especificamente a um partido: o PT. De fato, a direção do sindicato tem muitas pessoas ligadas ao Partido dos Trabalhadores. O que Ratinho parece não compreender é que isso de nenhuma maneira tira a legitimidade do movimento.

A direção do sindicato foi eleita – exatamente como eleito foi Ratinho para seu cargo. Assim como os paranaenses deram a Ratinho um mandato para governar o estado, os professores da rede pública deram ao professor Hermes Leão um mandato para dirigir seu sindicato. Onde está a legitimidade? Por que uma eleição dá legitimidade e outra não?

Ratinho também pertence a um partido político, assim como a maior parte de seus secretários. Também ele toma decisões que têm por base sua ideologia, e até mesmo os interesses de seus aliados – igualmente políticos, igualmente ligados a partidos. Isso tira sua legitimidade?

Sindicalismo também é política. A defesa dos trabalhadores não é feita por pessoas que pairam acima do mundo real, que não têm posições, que buscam uma pureza absoluta. É natural e desejável que os representantes dos trabalhadores tenham posições ideológicas e políticas.

Curiosamente, na mesma entrevista Ratinho disse que a militarização dos colégios públicos do Paraná não podia ser mais democrática. O motivo? Os pais votaram e escolheram esse caminho. Nesse caso, aparentemente, a votação legitima o processo.

De tudo isso se chega à seguinte conclusão. Para Ratinho, ilegítimo é o voto do trabalhador que escolhe seu representante. Contra esse, é preciso entrar em guerra.

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

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