26 nov 2021 - 9h28

Pedágio paranaense termina como começou, com desaforo ao cidadão

Governo Ratinho não consegue substituir pedageiras e motorista terá que se espremer ao lado de cancelas

É absolutamente compreensível que o Governo do Paraná não tenha sido capaz de realizar a nova licitação para escolher quem vai cuidar das estradas do estado a partir desta sexta-feira. Afinal, o aviso do fim do contrato com as atuais pedageiras foi feito com apenas 23 anos de antecedência. Quem poderia deixar tudo pronto assim, em cima da hora?

O descaso do governo Ratinho Jr (PSD) com a questão é a chave de ouro para um dos contratos mais absurdos já feitos pelo governo estadual. No fim dos anos 90, Jaime Lerner criou um sistema com tarifas abusivas e entregou tudo na mão de seis concessionárias. O que se viu desde então foi uma série de descalabros.

  • Já de cara o governo baixou a tarifa pela metade, mas ficou evidente que isso duraria só até a reeleição de LErner. Depois, veio de novo o preço lá em cima.
  • Como teriam tido perdas (!) nesse período, as pedageiras começaram com a história do equilíbrio econômico-financeiro, uma expressão que nos últimos vinte e três anos o paranaense se acostumou a ouvir já levando a mão ao bolso para proteger a carteira.
  • Apesar dos preços várias vezes superiores ao dos pedágios federais, por exemplo, as obras nunca saíam, e muitas estradas pedagiadas passaram as décadas sem duplicação.
  • Depois descobriu-se ainda que havia chunchos, e embora as pedageiras tenham sido obrigadas a baixar um pouco o preço, não perderam os contratos.
  • Teve gente, como o próprio presidente da Associação Brasileira de Concessões Rodoviárias no PAraná, que foi para a cadeia. Mas nem assim os preços baixaram a um valor razoável.

Agora chegamos a isso. Depois de 23 anos sendo penalizado por um pedágio malfeito, o motorista será deixado sem ninguém para assumir no lugar de quem explorou o serviço. As concessionárias, depois de emboisados os lucros, abandonam as praças de cobrança mas também o serviço (pelo menos pintavam a sinalização e roçavam um matinho aqui e ali, entre outras coisas).

E aí você pensaria: então pelo menos o motorista não vai mais ter problema nas cancelas, que estarão abertas. Nem isso. O governo Ratinho vai exigir que todo mundo passe pela lateral da estrada, no que está sendo chamado de “canalização”.

Tudo indica que o paranaense vai ficar um tempo sem precisar pagar para se deslocar nas estradas. E depois da eleição, caso Ratinho consiga se manter no poder, como aconteceu com Lerner em 98? O que vem por aí?

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

6 comentários sobre “Pedágio paranaense termina como começou, com desaforo ao cidadão

  1. Para a maioria dos “políticos” o governo só tem a função de enriquecê-los, a prioridade é que encham suas botijas, às custas das arrecadações… contrapartida, gerar benefício à população é o que menos importa…

  2. Esperava mais do colunista. “Passar pelo lado” é justamente porque: querendo ou não, as praças continuarão lá, não serão demolidas; evitar acidentes em caso de passagem irrestrita pelas cancelas abertas, que se tratam de ponto de aglomeração e confluência de tráfego, que tende a aumentar e ser feito em maior velocidade, justamente ante o fim da cobrança. Questão técnica. Quanto à ausência de substituição, as rodovias federais e é competência da União. Mas, em todo caso, lanço o desafio. Dê uma ideia e solucione de modo mágico problemas que se arrastam há vinte anos. Prorrogar contratos promíscuos?

  3. Essa matéria de idiota protegendo pedaleiras, com certeza foi matéria paga. Não entendo porque os veículos tem que “se espremer” nas laterais.

    Pra que serve pedágio senão para furtar o contribuinte.
    Assistência dos pedágios é, e sempre foi pífia, até o asfalto é suspeito de superfaturamento de calote uma vez que a usina de asfalto pertence ao Município em alguns casos ao estado, as maiores usinas de asfalto do Brasil. Quase sempre quem resolve os problemas do trânsito na AVENIDA são os Bombeiros, o SAMU e Defesa Civil a nossa gloriosa PRF. Na mobilidade urbana temos a atuante CET- Companhia de Engenharia de Tráfego totalmente equipada, porém relegados, abandonado propositadamente pelos políticos do Estado e do Município, mas que, mesmo assim, não medem esforços para ajudar a população diuturnamente. Todos esses, que já pagamos desde que o mundo é mundo. O que precisa fazer é não saquear o erário, não roubar e furtar, dar mais assistência a esse pessoal que nos ajuda; rever os salários de fome deles. E ficaria tudo resolvido. Pedágio no Brasil é roubo, não cumprem os contratos a única coisa que fazem melhorzinho com os recursos arrecadados dos pedágios é varrição e jardinagem, os restantes contam com obras e materiais comprados ou executada muitas vezes com funcionários contratados pelo município com recursos oriundos de impostos tradicionais, da parte das concessionarias quase sempre com financiamentos de bancos públicos a juros subsidiados que nunca pagam ou pagam com debêntures e títulos podres. Sem ajuda dos governos eles são vacas atoladas… (Luiz Carlos).

  4. Que diga eu, motorista de ônibus por todo esse” tempinho”, estradas mal feitas, só remendos em cima de remendos, sempre houve as famosas placas em obras, mas o que se via, era meia dúzia de pessoas roçando mato, dando um susto de tinta nas faixas, e nós pagando 23 anos por tudo isso.
    Tomara que essa gente nunca mais volte,,não tenho saudade nenhuma de nenhuma delas, já se vão tarde, muito tarde.

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