"O Deo já está cumprindo pena. E sabe disso" | Jornal Plural
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24 jan 2019 - 0h00

“O Deo já está cumprindo pena. E sabe disso”

No Complexo Médico Penal desde setembro, ex-braço direito de Beto Richa sabe que não vai sair tão cedo da cadeia. Deprimido, espera um julgamento que não lhe parece nem um pouco favorável.

Quando o nome de um sujeito como Deonilson Roldo começa a ser falado demais, normalmente não é bom sinal. Acostumado às guerras de bastidores, ao trabalho silencioso da articulação, o ex-braço direito de Beto Richa (PSDB) sempre passou longe dos holofotes. Em 11 de setembro de 2018, ele virou notícia pela primeira vez – e foi o fim de sua carreira.

Preso há mais de quatro meses no Complexo Médico Penal de Pinhais, o chefe de Gabinete do ex-governador tucano vê a cada dia minguarem suas chances de sair antes do julgamento. E depois do julgamento, as chances não parecem muito favoráveis a ele também. “Na verdade ele já está cumprindo pena. E sabe disso”, diz um colega de secretariado.

Pego numa gravação armada por “Bin Laden” (apelido dado por ele a Tony Garcia), Deonilson é acusado de fraudar uma licitação bilionária para beneficiar a Odebrecht. Em troca, seu patrão teria recebido R$ 4 milhões de auxílio para a campanha de reeleição. Beto, apesar de supostamente ser o beneficiado (o tucano nega o esquema) está solto. Deonilson, cuja voz aparece claramente articulando a jogada, não teve a mesma sorte.

Nos últimos dias, a defesa de Deonilson, comandada por Roberto Brzezinski em Curitiba e por um escritório de Brasília, entrou com dois pedidos de habeas corpus. Com a soltura de outro envolvido na denúncia, Jorge Atherino, que topou dar imóveis de R$ 15 milhões como fiança, parecia haver uma chance. Nada. Deonilson seguirá no CMP.

O favorito do rei

Jornalista por formação, Deo (ninguém próximo o chama pelo nome inteiro, muito menos pelo sobrenome) tinha uma carreira sólida, comandando redações, quando foi chamado para trabalhar na Comunicação do governo Jaime Lerner. Foi sua entrada na política. Antes do fim do governo, era secretário. De lá, só subiu.

A parceria com Beto Richa começou ainda na prefeitura. O chefe tem fama de desligado – era a fachada que precisava de um cérebro. Deonilson era o estrategista que não tinha votos. Os dois viraram um só organismo político que foi crescendo e se tornando cada vez mais ambicioso.

https://www.plural.jor.br/o-ocaso-de-beto-richa/

Cada vez mais poderoso, Deo passou a ser temido – e também enriqueceu. Ele e a mulher abriram um restaurante que, mesmo hoje, com a queda e a prisão, segue servindo refeições suntuosas e vinhos caros a seus fregueses. Pequeno consolo diante do tempo de cadeia que parece haver pela frente.

No governo, era ele o favorito do rei Beto. Mas Richa, que jamais foi tolo, também mantinha outros vizires – dividia para governar. E as brigas internas entre Deo, Luiz Abi, Ezequias Moreira e Tony Garcia foram subindo de tom. Até que um começou a gravar o outro. Até que um decidiu colocar o outro na cadeia.

Isolado no CMP

No CMP, Deonilson não fez amigos. “O pessoal da Lava Jato, e mesmo os que vêm de outras operações, todo mundo faz amizade. Até porque… Né? Não tem outro jeito”, diz a advogada de um dos presos do complexo. “Mas ele, não. Não se fala dele. Parece que não se enturmou. Acho que é um sujeito reservado”, afirma.

No fim do ano passado, dizem que Deo estava mal: mais magro, depressivo, chorava o tempo todo. Parece saber que não há habeas corpus que vá abreviar sua situação. Fiel a seu papel, não delatou nem parece que delatará. Vai esperar o julgamento e, tudo indica, a longa pena que se seguirá.

https://www.plural.jor.br/cartas-ineditas-revelam-dia-a-dia-de-tedio-fe-e-medo-de-presos-da-lava-jato/

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