Negativa de saída de Lula para velório é "burrice" e indício de prisão política, diz presidente de conselho | Jornal Plural
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31 jan 2019 - 0h00

Negativa de saída de Lula para velório é “burrice” e indício de prisão política, diz presidente de conselho

Presidente do Conselho da Comunidade, Isabel Kugler Mendes afirma que a negativa para que Lula fosse ao velório do irmão é um erro crasso que fere a lei e mostra perseguição política.

Isabel Kügler Mendes faz questão de dizer que nunca foi petista – nem lulista. “O único partido a que eu já fui filiada foi o PDT, por amizade com dona Fani Lerner”, conta. “Mas não é por política que eu atuo. O meu interesse é a execução penal, é o direito que a pessoa tem como cidadão. Porque o preso é um cidadão”, afirma.

A vacina do “não sou lulista” é importante para que o resto do discurso não soe contaminado. Porque o que se segue na entrevista, sobre a negativa para que o ex-presidente Lula comparecesse ao velório e sepultamento de seu irmão Vavá (e a permissão do STF na última hora, quando já nem fazia mais sentido discutir aquilo), nesta quarta, é pesado.

“Eu acho que foi uma burrice”, diz Isabel, do alto de suas seis décadas de atuação profissional – contando com passagens pela OAB e hoje com a presidência do Conselho da Comunidade de Curitiba, órgão responsável por fiscalizar a execução penal na comarca. “Acabaram de tirar outras visitas, era uma chance de mostrar que estão cumprindo direitos. Até de apaziguar. Mas isso apaziguou ou acirrou os ânimos?” pergunta, retoricamente.

O artigo 120 da Lei de Execução Penal (que, para esses casos, só vem abaixo da Constituição), diz com clareza meridiana que o preso pode sair para velar e sepultar familiares – citando expressamente o caso de irmãos. A Polícia Federal passou por cima disso, dizendo que havia risco de Lula fugir ou ser resgatado; alegando não ter como garantir sua segurança; e citando a possibilidade de tumultos.

“Olha, eu prefiro acreditar que isso é uma desculpa é ingênua. Talvez meu neto acredite”, diz Isabel. “O Lula teve toda possibilidade de fugir antes de se entregar, recebeu até oferta de asilo no Uruguai. Não foi porque estava determinado a cumprir a pena. E agora vai fugir? E quem vai sequestrar um ex-presidente?”

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Para a presidente do Conselho da Comunidade, as decisões da PF e da Justiça só reforçaram os indícios de que a prisão de Lula tem viés político. “A lei tem que ser cumprida. Ele é um cidadão com direitos. Não faz sentido alegar ‘tumultos’ para não cumprir o que a lei determina”, diz a advogada, deixando claro que essa é uma opinião pessoal, não do conselho que preside.

Depois que foi informada pela própria defesa de Lula do pedido para que ele pudesse acompanhar o sepultamento, a doutora, conhecida como “mãe dos presos”, foi pessoalmente atrás do assunto. Como ela sempre diz, não interessa o CPF do preso, interessam os direitos. Quando Beto e Fernanda Richa foram presos em setembro passado ela esteve entre as primeiras a visitar e garantir que seus direitos fossem respeitados.

“Com os Lava Jato já passamos por isso”, conta. O caso foi do ex-deputado federal Luiz Argolo. “Na época, o coordenador da Polícia Federal me pediu para redigir a autorização e ele só assinou. Era um domingo, tudo foi feito fora de expediente. E mesmo assim ninguém criou caso. É a lei!”, diz ela. No caso de Lula, no entanto, o desfecho foi diferente. “Uma pena”, diz Isabel.

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