Lava Jato pede processo contra Beto e mais sete por desvio bilionário e R$ 35 milhões em propina | Jornal Plural
28 jan 2019 - 0h00

Lava Jato pede processo contra Beto e mais sete por desvio bilionário e R$ 35 milhões em propina

Beto Richa, seu irmão Pepe e mais oito pessoas foram denunciados nesta segunda-feira (28) pelo Ministério Público Federal por supostos crimes cometidos na gestão dos…

Beto Richa, seu irmão Pepe e mais oito pessoas foram denunciados nesta segunda-feira (28) pelo Ministério Público Federal por supostos crimes cometidos na gestão dos pedágios do Paraná. Isso significa que os procuradores estão pedindo ao Judiciário que inicie uma ação penal contra o tucano, preso preventivamente desde a sexta-feira.

Segundo a força-tarefa da Lava Jato, que atuou em parceria com promotores de outras comarcas, os acordos ilícitos teriam gerado o desvio de R$ 8,4 bilhões em obras que foram canceladas, embora estivessem nas obrigações iniciais das concessionárias, e superfaturamento de tarifas. O MPF diz ainda que os acusados receberam propinas que podem superar os R$ 35 milhões.

A Lava Jato começou a investigar o pedágio do Paraná na fase chamada Integração – referência ao “Anel de Integração” criado por Jaime Lerner em seu primeiro mandato, em 1997. Preso, Nelson Leal, ex-diretor do DER, fez um acordo de delação e começou a aumentar o escopo das investigações.

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De acordo com a investigação, as concessionárias cometeram ilícitos desde o início de sua atuação no Paraná, quando teriam superfaturado o preço da tarifa (conhecido desde então como um dos mais caros do Brasil).

Em seu mandato, Beto Richa retirou ações judiciais interpostas pelo antecessor Roberto Requião (MDB) e depois cancelou contratos de obras previstas nos contratos. Segundo o MPF, o tucano teria recebido dinheiro para isso – os recursos teriam sido usados para comprar imóveis em dinheiro vivo.

As denúncias foram fundamentadas em evidências como a quebra de sigilos bancários, fiscais, telemáticos e telefônicos. Elas comprovaram a utilização do dinheiro em espécie por parte dos beneficiários finais do esquema. O ex-governador, por exemplo, utilizou R$ 2,5 milhões em propinas recebidas em seu governo, para adquirir imóveis que estavam no nome de sua esposa e filhos.

Prejuízos nas estradas

O contrato inicial com às concessionárias de pedágio previa a execução de várias obras que nunca foram entregues. As empresas envolvidas haviam se comprometido a duplicar 995,7 km de rodovias no estado. As obras deveriam ter sido concluídas em 2016. No entanto em 2019, as estradas têm 273,5 km de duplicação e somente pouco mais de 27% do total foi concluído.

O procurador da República Diogo Castor classificou o esquema como o “maior desvio de dinheiro já comprovado na história do Paraná”. O prejuízo da corrupção também refletiu nas estradas, de acordo com números da Polícia Rodoviária Federal, 1714 mortes nas rodovias do Anel de Integração, nos últimos cinco anos. Número que segundo a PRF, cai consideravelmente em trechos duplicados.

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