Greca relaciona moradores de rua com crime e epidemia de coronavírus | Jornal Plural
5 fev 2020 - 13h01

Greca relaciona moradores de rua com crime e epidemia de coronavírus

Prefeito nega estar sendo higienista ao recolher pertences de moradores de rua

O prefeito Rafael Greca (DEM) voltou a dar declarações relacionando a existência de moradores de rua com crimes e uso de drogas na cidade. Dessa vez, porém, foi mais longe: disse que os sem-teto têm a ver com a disseminação de epidemias, e chegou a insinuar que podem facilitar a chegada do coronavírus.

As declarações foram dadas na posse de conselheiros da infância, saúde e assistência social. O vídeo vazou e foi parar na Internet.

No discurso, Greca reclama da decisão judicial que impede a prefeitura de recolher colchões, cobertores e outros objetos de moradores de rua.

“Qual é o direito que existe em tempo de epidemia de permitir a sujeira numa cidade que é limpa, que é saudável, que é salubre e que ama o povo?”, perguntou o prefeito.

“Não há higienismo nisso. Há falta de higiene em querer que more em locais que toda a cidade paga impostos para que sejam limpos”, continuou, recebendo aplausos da plateia.

“Não existe direito humano que consinta em manter mocó, em manter lugar de sujeira, em manter lugar de infecção. Se precisar vou ao centro espírita invocar o Oswaldo cruz pra ensinar os promotores”, afirmou.

Segundo o prefeito, se o coronavírus chegar à cidade, será derrotado pela secretária de Saúde municipal, Márcia Huçulak. Greca também disse que não haverá dengue na cidade, dizendo que varrer e limpar são os melhores meios de evitar epidemias – e dando a entender que os moradores de rua podem ser vetores de transmissão.

Histórico

Greca colecionou várias ações e frases relacionadas a moradores de rua que o tornam sim sério candidato a ser chamado de higienista (selo que a ex-primeira-dama Márcia Fruet, aliás, empregou para defini-lo durante a eleição de 2016).

Na campanha que o levou à prefeitura, fez uma célebre declaração dizendo que vomitou ao sentir o cheiro de um pobre que estava levando para um abrigo. A frase, dita na sabatina da PUC, foi repelida quase unanimemente e obrigou o então candidato a pedir desculpas em público.

Já no mandato, Greca teve como um de seus primeiros atos o fechamento do guarda-volumes de moradores de rua na Osório, alegando que aquilo incentivava a criminalidade no Centro.

De lá para cá, o prefeito também fechou o maior abrigo da região central e deslocou o atendimento para os moradores de rua para o Sítio Cercado – segundo críticos, para afastar essas pessoas do Centro e diminuir sua visibilidade.

Atualmente, a disputa tem a ver com a manutenção dos poucos pertences dos moradores de rua, que estariam sendo retirados e levados embora pela prefeitura quando o dono não está de guarda.

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