"Ao aceitar ministério, Moro assumiu a dimensão de Bolsonaro", diz Requião | Jornal Plural
18 jan 2019 - 0h00

“Ao aceitar ministério, Moro assumiu a dimensão de Bolsonaro”, diz Requião

Senador Requião diz que Jair Bolsonaro “é uma tragédia” e que perdeu a eleição por causa de uma “guerra de WhatsApp movida pela extrema-direita”

Roberto Requião já chegou a elogiar a Lava Jato. Levou Sergio Moro ao Senado. Com o tempo, começou a questionar algumas atitudes do juiz, principalmente depois da prisão de Lula. Agora, com a ida de Moro ao ministério de Jair Bolsonaro (PSL), a crítica mudou de tom, ficou muito mais ácida.

“Quando aceita ser ministro do Bolsonaro, o Moro aniquila qualquer ilusão que uma pessoa lúcida possa ter a respeito dele”, afirma o senador, em entrevista exclusiva ao Plural. “Ele assumiu o ministério do Bolsonaro assumiu a dimensão do Bolsonaro. Que deve ter sido sempre a dele”, diz.

Segundo Requião, Bolsonaro “é uma tragédia”. “É uma coisa humilhante, uma coisa triste para um brasileiro”, afirma o senador, que considera o novo governo brasileiro “entreguista”. Para ele, o ministério é coalhado de pessoas despreparadas, como o ministro da Defesa (“Três guerras mundiais? Faltou à escola!”) e o chanceler Ernesto Araújo.

Quanto à ministra Damares Alves, da Família, que ficou célebre por dizer que meninos devem usar azul, e meninas, rosa, Requião diz se tratar de uma pessoa totalmente despreparada. “Mas na verdade não tem importância. O ministério não existe, não vai influenciar nem no Carnaval. Ela serve é para encobrir o que o Guedes e os entreguistas querem fazer com o país”, afirma.

Sobre o cenário regional, Requião diz que perdeu a eleição para o Senado devido a uma “guerra de WhatsApp”, movida por Oriovisto Guimarães, Bolsonaro e empresários de extrema-direita, que o associaram ao petismo e às acusações de corrupção que pesam contra o partido. Requião diz ainda que faria tudo de novo para impedir o impeachment de Dilma.

Após quarenta e dois minutos de conversa, o senador, que diz que continuará fazendo política pelo celular, via Twitter e Facebook, diz que não se arrepende de nada, nem de falar mal de Moro na entrevista ao Plural. “Claro que isso vai me tirar mais voto. Mas não é importante dizer o que a gente pensa?”, pergunta.

Veja o vídeo com a entrevista na íntegra. Os trabalhos técnicos são de Bruna Teixeira.

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