A vitória da bancada do camburão | Jornal Plural
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5 fev 2019 - 0h00

A vitória da bancada do camburão

O início do novo mandato dos deputados paranaenses mostrou de maneira definitiva que entrar no camburão para fazer a vontade de Beto Richa (PSDB) em…

O início do novo mandato dos deputados paranaenses mostrou de maneira definitiva que entrar no camburão para fazer a vontade de Beto Richa (PSDB) em 2015 valeu a pena. Os principais cargos da Assembleia Legislativa recaíram sobre os parlamentares que mais trabalharam pelo ajuste fiscal do ex-governador.

Na primeira sessão legislativa do ano, os “novos” deputados elegeram como presidente Ademar Traiano (PSDB) – o mesmo que disse a célebre frase, no 29 de abril, que era possível tocar a votação porque “a bomba é lá fora” – nas manifestações contra o ajuste fiscal, 213 pessoas saíram feridas, mas Traiano levou a votação até o fim.

O cargo de primeiro secretário ficou com Luiz Claudio Romanelli (PSB), à época líder do governo Richa na Assembleia e um dos articuladores da votação. A vice-presidência coube a Plauto Miró (DEM), outro dos integrantes de alto escalão da “bancada do camburão”. A liderança do governo de Ratinho Jr. (PSD) está nas mãos de Hussein Bakri (PSD), mais um que votou “sim” para o pacotaço.

As principais comissões também devem ficar com deputados que votaram com Richa nos momentos mais polêmicos. A CCJ está sendo disputada voto a voto por Nelson Justus (DEM) e Fernando Francischini (PSL), o secretário de Segurança na época da repressão violenta do 29 de abril. Derrubado do cargo logo depois dos fatos, o bolsonarista foi o mais votado de 2018 entre seus pares.

A “bancada do camburão” também fez secretários de estado. Um deles é o chefe da Casa Civil de Ratinho, Guto Silva (PSD); outro, o novo titular do Meio Ambiente, Márcio Nunes (PSD). Dois outros foram promovidos a deputados federais: Pedro Lupion (DEM) e Felipe Francischini (PSL).

O fenômeno mostra duas coisas. Primeiro, que o cálculo de Beto e de seus articuladores estava absolutamente certo. Era possível comprar briga com todo mundo, passar vexame na tevê nacional e na Internet para o mundo todo e, mesmo assim, conseguir sair por cima. Em três anos, todos esqueceriam (como esqueceram) as cenas de barbárie do Centro Cívico.

A segunda coisa é que o eleitor não vota mesmo pensando nesse tipo de tema. Aposentadoria dos servidores públicos? Tratamento dispensado a professores em manifestação? Respeito à democracia e direitos humanos? Para muita gente, esses são assuntos superficiais na escolha de um parlamentar.

No momento da crise, em 2015, quando os recém-eleitos entraram na Assembleia usando o ônibus do Choque para a primeira tentativa de votação do pacotaço, um dos novatos, Cobra Repórter (PSC) explicou porque ficava ao lado de Richa mesmo naquelas condições. Se não fizesse isso, não ganharia nem “um papel de bala” de Beto. Estava certo. Os professores ficaram com as balas de borracha, e ele com o apoio do governador.

O fato de o próprio Beto não ter se salvado tem a ver com outros episódios, principalmente com a sua prisão às vésperas da eleição. Mas a bancada do camburão, não se enganem, saiu absolutamente triunfante. E hoje entra pela porta das frentes da Assembleia, para comandá-la.

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