A criança pode salvar o adulto | Jornal Plural
18 ago 2020 - 20h34

A criança pode salvar o adulto

Um relato* sobre o uso da hipnose para o alívio de dores

Embora eu tenha buscado me dedicar mais à hipnose erótica, recebo muitos clientes em busca de ajuda com problemas de toda ordem: ansiedade, fobias, compulsões… você diz.

Semana passada tive o privilégio de atender, com a hipnoterapia, uma cliente que está se recuperando, com grande espírito de superação, de um desafio de saúde e retomando, paulatinamente, sua mobilidade.

Sua queixa eram fortes dores nos quadris que iam até o joelho de uma das pernas.

Desde o começo, dava pra ver na expressão dela o grau de recebimento e entrega que ela confiou a mim.

Quando uma cliente ou um cliente deposita tal grau de fé em seu trabalho – embora o terapeuta NUNCA possa prometer nada, é um presente: você, ao mesmo tempo, sente a responsabilidade e abraça o compromisso de fazer um trabalho bem feito.

Realizamos juntos algumas técnicas de modelagem das sensações, com a hipnose. Logo no início, pedi que ela imaginasse estar em um lugar seguro, tranquilo e confortável para executar aquelas técnicas, um lugar que, a partir de agora, seria associado a sensações mais prazerosas em seu corpo, bastando que retornasse, mentalmente, a ele para aliviar ou eliminar a dor.

Ao final, eu a ouvi: falou sobre sua experiência e ela me contou todas as lembranças lindas que ela teve de sua infância. Mal lembrava das outras técnicas que executamos e das sugestões dadas para o efeito desejado.

Naquela noite, ela me mandou uma mensagem: estava se sentindo ótima. As dores haviam desaparecido. Estado que, depois de quase uma semana, se mantém.

Eu tenho a sensação de que, mesmo tendo aparecido espontaneamente, a parte mais importante da sessão de hipnoterapia, no caso dela, foi o resgate das lembranças ternas da infância.

A criança, que na maioria das vezes, permanece existindo no adulto, tem uma enorme energia biológica latente, que nunca é totalmente extinta: mesmo que seja uma brasa apenas, basta soprar de leve que ela reaviva. E esse fogo tem um grande poder para nos aquecer, acalentar, curar, com afeto, com amor.


* Relato com a permissão da cliente

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

Últimas Notícias