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“Minha fé não irá atrapalhar”, diz pastor que assume presidência da FAS

Escrito por Rogerio Galindo
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Thiago Ferro, vereador evangélico escolhido para presidir FAS, diz que se apoiará em associações para conseguir atender famílias

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O vereador Thiago Ferro (PSDB) assumiu nesta semana a presidência da Fundação de Assistência Social (FAS) de Curitiba. Na função, será responsável pelo trabalho assistencial do município, com famílias carentes e moradores de rua.

Em entrevista ao Plural, o vereador, que também é pastor da igreja Sara Nossa Terra, fala em contar com apoio de associações para o trabalho, diz que há tráfico infiltrado em meio aos moradores de rua e afirma que não abre mão de suas convicções religiosas. Leia a íntegra da conversa abaixo.

Qual o sr. imagina que vai ser seu maior desafio na FAS?
Recursos sempre são limitadores para implementação de políticas públicas. Uma das minhas prioridades será a valorização das entidades que trabalham com acolhimento, em especial o acolhimento infantil.

Hoje, através do convênio com a prefeitura, repassamos aproximadamente R$ 1,3 mil per capita. Precisamos de um estudo e condições orçamentárias e financeiras para darmos melhores condições a esses importantes parceiros. Além do que perdê-los custaria muito mais ao governo e provavelmente não teríamos condições de suprir as vagas que hoje eles oferecem.

Como enfrentar a situação dos moradores de rua, que tem sido um problema persistente na cidade?
Não é um problema de Curitiba, mas de toda grande cidade do país e, por que não dizer, do mundo. Há muitos anos atuo como voluntário e líder religioso com pessoas em situação de rua. Não existe uma solução rápida e definitiva, bem como há uma multiplicidade de causas para esta situação. Dentre os inúmeros casos temos pessoas com problemas psicológicos, dependência química, frustração emocional, vítimas de falência e violência.

Uma de nossas preocupações é que o tráfico de drogas está infiltrado, camuflado em muitos lugares da nossa cidade entre os moradores de rua. Identificando a origem do problema, em suas diversas vertentes, podemos pensar em soluções individualizadas, buscando tratamento para aqueles que precisam de tratamento, trabalho para os que precisam de trabalho, acolhida para os que precisam de acolhida e punição para os criminosos que se camuflam no meio deles.

Importante ressaltar que a solução também virá da unidade e do esforço da sociedade como um todo.

Há um receio de interferência da sua posição de pastor no trabalho social, que deve ser laico. Como o sr. vê isso?
Entendo que as instituições precisam ser preservadas em suas funções, tenho minhas convicções religiosas e não abro mão delas. A minha fé não irá atrapalhar, muito pelo contrário será favorável para que possamos atender a todos com excelência, pois o princípio de ajuda ao próximo e de solidariedade são valores muito caros ao que acredito.

Mas o sr. tem como garantir que o trabalho respeitará a separação entre Estado e igreja?
A FAS será laica com toda certeza! Mas é impossível dissociar os princípios que conduzem minha vida de minha atuação profissional. Com toda certeza a FAS não será um espaço de proselitismo. Entretanto, não podemos abrir mão dos voluntários que já contribuem muito com as ações de assistência e muitas vezes esses voluntários tem origem denominacional. Enfim, não podemos misturar a religião com o serviço, mas sim podemos aceitar a participação da sociedade organizada através das igrejas e de todos que queiram ajudar nossa cidade.

O prefeito disse que um dos motivos de sua escolha seria o sr. ter apoiado o ajuste fiscal. Parece um critério político pouco adequado?
Entendo que quando o prefeito cita isso como um dos motivos para minha escolha, ele tem em mente que os vereadores que apoiaram as medidas de recuperação fiscal compreenderam as necessidades urgentes da cidade.

Também creio que a forma positiva pela qual atuei com meus pares nos dois anos como presidente da Comissão de Economia, Finanças e Fiscalização na CMC se deve à relação de mútua confiança que se originou no momento da aprovação daquelas medidas no Legislativo. Hoje todos podemos perceber os avanços que foram possíveis graças a elas.

Comenta-se que o sr. herdou a FAS de “porteira fechada”, que teria um acordo para manter a diretoria, que seria escolhida em parte pela primeira-dama, Margarita. Até onde isso tem fundamento?
Não entendo adequado o termo “porteira fechada” em qualquer situação, pois deprecia os importantes quadros funcionais que contribuem com a FAS. Tive a oportunidade, tanto na minha atuação de voluntariado quanto na de vereador, de ter me relacionado com ótimos servidores que ali trabalham.

Com certeza algumas mudanças podem ocorrer e para levá-las adiante terei a humildade de ouvir pessoas mais experientes, como é o caso da dona Margarita, que tão bem presidiu a Fundação, e outros importantes atores da política de assistência social do município.

Tenha certeza de que nesta caminhada irei respeitar muito os servidores e todos aqueles que contribuíram com a história da FAS.

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Sobre o autor

Rogerio Galindo

Rogerio W. Galindo é jornalista e tradutor. Responsável pelo blog Caixa Zero, é um dos profissionais que criaram o Plural.jor.br

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