Prazer, mulher, empreendedora, advogada! | Jornal Plural
Clube Kotter
4 mar 2020 - 14h39

Prazer, mulher, empreendedora, advogada!

Ser empreendedora e ser mulher não são tarefas fáceis. Ser empreendedora num mercado tão machista quanto o jurídico, muito menos

Lembro-me do dia em que estava num evento a trabalho, conversando com um colega, também advogado e que, no momento, estava procurando uma recolocação. Ele me perguntava sobre o meu escritório e me interrogava sobre uma eventual oportunidade de trabalhar na minha equipe.

Nesse momento, um senhor se aproximou. Ele era meu conhecido e do advogado que eu conversava também, de maneira que interrompemos nossa conversa para cumprimentá-lo.

Ele rapidamente reverenciou o colega que conversava comigo com um caloroso “Doutor, quanto tempo não lhe vejo, como vão as coisas?”. Após cumprimentar meu colega, ele se dirigiu a mim “E você menininha, como está?”.

Não sou menininha, nem querida, muito menos linda e não admito cliente falando que vai fechar o contrato comigo por conta da cor dos meus olhos – que nem é nada demais, diga-se de passagem.

“O seu pai é advogado?” “O seu sócio é seu marido?” Porque obviamente uma mulher, advogada, num cargo de liderança, só pode ser filha ou esposa do sócio.

Parece vitimismo, mas não é! É a realidade! As pessoas – mulheres inclusive – te fazem essa pergunta e não fazem a menor ideia do machismo estrutural que está por detrás desse questionamento

“Não, meu sobrenome na placa fui eu mesma que coloquei!”

Parece agressiva a minha resposta? Talvez seja! Honestamente, talvez tenha que ser!

Ser empreendedora e ser mulher não são tarefas fáceis. Ser empreendedora num mercado tão machista quanto o jurídico, muito menos. Aí você pensa: deve ser por isso que ela tem sucesso, ela tem características masculinas.

E aí eu te pergunto: por que as características que são bem vistas em cargos de liderança e de gestão são consideradas masculinas?

E eu te respondo: sim, sou assertiva, direta, não tenho medo de tomar decisões e muito menos de me posicionar e assumir riscos. Mas também sou sensível e – por que não – até frágil.

Se é essa sensibilidade que me faz ter empatia com o meu cliente, responsabilidade, carinho e cuidado com a minha equipe, então que eu seja sensível.

Se é essa fragilidade que faz com que eu forme profissionais que eu possa contar e confiar e me torna a líder e gestora que eu quero ser, então que eu seja frágil.

Que eu continue sendo a profissional assertiva que sou, mas que nunca perca a sensibilidade e a fragilidade que me tornam quem eu sou. Isso, de ser mulher, ainda vai nos levar longe.

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