Como superar o medo que nos paralisa enquanto o novo normal é anormal | Jornal Plural
Clube Kotter
8 jul 2020 - 16h05

Como superar o medo que nos paralisa enquanto o novo normal é anormal

O medo é uma sensação natural ao ser humano e está ligado à sobrevivência, mas não podemos pautar nossa vida por esse sentimento

Temor. Ansiedade com ou sem razão. Receio. O medo pode ser um sentimento leve ou tão consistente a ponto de nos paralisar e nos impedir de seguir em frente. Como agir? O primeiro passo é respirar fundo e tentar entender a situação. O que estamos vivendo agora é uma situação completamente atípica, então, antes de tudo, precisamos aceitar que é natural sentir medo. Não há como fugir, mas há como encontrar uma forma de viver melhor com ele.

A crise econômica e sanitária causada pelo novo coronavírus não traz efeitos apenas financeiros e sociais.  A crise traz medos. E nos mais variados níveis. A realidade nos abala minuto a minuto e não há como ter distanciamento. Amigos e familiares estão sendo infectados a cada dia. Se ficamos de olho nas notícias, os mais de 1 mil mortos por dia pela Covid-19 somente no Brasil não são apenas números. São pessoas. Não se abalar diante dessa situação é que seria estranho. Uma apatia que não devemos nos acostumar.

É fundamental saber que o medo é uma emoção natural ao ser humano. Um sinal de alerta que, inclusive, nos protege do perigo. O medo, muitas vezes é aliado da sobrevivência. Sentimos medo quando percebemos alguma ameaça e até o nosso corpo e os nossos hormônios se transformam. Na atual realidade, os medos são muitos. Perder o emprego. Deixar para trás o que conquistamos. Perder entes queridos. Não ter certezas nem domínio sobre o futuro.

E quando saímos às ruas vemos um verdadeiro cenário de guerra, uma situação sem precedentes na nossa geração e dos nossos filhos. As máscaras, luvas e distanciamentos gritam sobre a realidade ainda mais devastadoras que pode nos atingir a qualquer momento. A sensação de impotência perdura e se junta ao medo causando ainda mais angústia.

Fazemos o que até então era rotina de forma rápida e apreensiva. Mercado, farmácia, itens de primeira necessidade são levados para casa, higienizados. Nós chegamos em casa com a roupa vestida de medo e nos banhamos para tentar evitar a tensão. Quem tem o privilégio de uma casa confortável se sente culpado por aqueles que estão em dificuldade.

A sensação é de que nós seremos os próximos a perder. Mas já estamos perdidos. Independente dos bens materiais e das privações, todo mundo está perdendo. Não temos mais o contato humano, não olhamos mais nos olhos, não sabemos quem ri ou quem chora. Choramos a solidão e estamos em luto pelas pequenas mortes diárias da esperança.

O convívio social que nos permite extravasar as emoções e equilibrar os sentimentos nos foi privado. Temos que lidar diariamente com a solidão e com o medo, a maior das nossas defesas. Quem vai nos proteger?

A força da superação

A resposta está em nós. Mais do que nunca temos que encontrar mecanismos para lidar com o sentimento. Sem negação. Temos medo, sim. E é mais do que natural senti-lo diante dessa realidade. Mas podemos transformar o medo em aliado, pois o medo não pode ser paralisante.

O autoconhecimento nunca foi tão necessário. Pergunte a si mesmo o que mais te dá medo. Perder dinheiro, a saúde ou perder pessoas queridas? Pense no que você pode fazer para vencer cada temor. Ficar em casa, se cuidar, manter as medidas de distanciamento e de higienes necessárias são fundamentais para evitar a propagação do vírus que está causando a situação. Então é preciso fazer a nossa parte. É uma expressão de cuidado conosco e com o outro.

Feito isso, a solidão também te causa pânico? Use os recursos disponíveis. Fale com as pessoas por telefone, realize reuniões virtuais com os amigos. Fale com a família. Se aproxime de quem deixou pra trás. Deixe as desavenças de lado para promover reconciliações.

Não guarde o sofrimento. Divida. Compartilhe. Procure falar sobre as emoções. Estar conectado é importante, mas tente encontrar momentos para ficar longe das notícias também. Principalmente antes de dormir. Algumas das causas do medo constante são problemas como insônia e cansaço mental. E o sono é fundamental para reparar nossa mente. Procure fazer coisas que promovam o bem-estar, como artesanato, meditação e exercícios. Tudo isso ajuda a conquistar e manter o equilíbrio da mente. Você precisa dele para vencer o medo. Ele não deve ser visto como inimigo, mas como um sentimento que vai te fortalecer e ajudar a passar essa fase. E vai passar.

Se puder, assine o Plural. Você pode escolher o valor que quer pagar. Isso faz muita diferença para nós: ser financiados por leitoras e leitores. As assinaturas nos mantêm funcionando com uma equipe que hoje tem oito pessoas e dezenas de colaboradores. Somos um jornal que cobre Curitiba em meio aos obstáculos da pandemia e fazemos isso com reportagens objetivas, textos de opinião e de cultura, charges e crônicas. Obrigado pela leitura.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Últimas Notícias