A universidade que se faz presente | Jornal Plural
23 jun 2020 - 20h40

A universidade que se faz presente

No contexto das medidas de enfrentamento da pandemia de Covid-19 no país, o único meio viável de retorno às aulas nos cursos de graduação é o chamado ensino remoto emergencial

A UFPR, em breve, vai retornar às aulas. Mas, obviamente, não serão aulas presenciais; muito menos serão aulas EaD. No contexto das medidas de enfrentamento da pandemia de Covid-19 no país, o único meio viável de retorno às aulas nos cursos de graduação é o chamado ensino remoto emergencial (ERE), hoje adotado por inúmeras escolas e universidades no país e no mundo. Não se trata do EaD, porque não se cumprem todos os requisitos para essa modalidade de ensino. Mas recupera-se do EaD a aplicação das tecnologias digitais de informação e comunicação (TDIC) para desenvolver ações de ensino-aprendizagem.

De outro lado, assim como esse retorno não será um retorno ao ensino presencial, tampouco será um retorno ao semestre 2020/1, interrompido desde o dia 16 de março. Determinadas disciplinas – sobretudo, aquelas que dependem de laboratórios ou saídas a campo –, não poderiam ser integralmente adaptadas ao formato remoto (ERE). Do mesmo modo, talvez nem todos os estudantes estejam em condições de retornar às aulas nesse formato – apesar de todos os esforços emergenciais para promover inclusão digital e atenção à saúde mental. Mostrou-se, então, necessário fazer uma nova oferta de turmas e disciplinas, permitindo inclusive que disciplinas ainda não ofertadas no atual ano letivo pudessem ser ofertadas agora, pois se adequariam mais facilmente ao formato ERE.

Lançando mão de um expediente normalmente utilizado para permitir a oferta de determinadas disciplinas fora da vigência do calendário acadêmico, a UFPR vai retornar às aulas por meio de um período especial.  Novas ofertas de disciplinas, novas atribuições de aulas a professores, novas matrículas para os estudantes. Este período não será nem a continuação de 2020/1 nem a antecipação de 2020/2, nem qualquer coisa do mesmo gênero. Por isso, ele será especial. Todavia, nada impede que disciplinas antes ofertadas em 2020/1 ou que se previam ofertar em 2020/2 sejam agora ofertadas nesse período especial de forma remota.

A instituição do período especial resultou de uma ampla discussão com todos os segmentos da UFPR. Dela resultaram, adicionalmente, um conjunto de ações visando capacitar docentes e discentes e aumentar a acessibilidade dos estudantes aos meios para desenvolvimento das atividades de ensino de forma remota. Imbuída de todas as precauções requeridas para lidar com a atual conjuntura de risco à saúde pública e aos demais direitos sociais, a UFPR estabeleceu que a participação de docentes e discentes no período especial deve ser totalmente voluntária e que as atividades propostas não devem exigir que servidores técnico-administrativos deixem de observar as medidas de proteção pessoais e coletivas. Agindo assim, a UFPR procura conferir materialidade e significado ao princípio constitucional de inviolabilidade do direito à vida, que deve ser especialmente evocado na situação de pandemia de Covid-19 em que nos encontramos.

Diante desse cenário, aquilo que professores e estudantes precisam saber para retornar com tranquilidade e segurança às aulas nos cursos de graduação pode ser resumido nos seguintes pontos:

  1. caberá aos colegiados de cursos indicar quais disciplinas serão ofertadas em período especial de forma remota;
  2. as disciplinas escolhidas serão, em seguida, referendadas pelos respectivos departamentos, que lhes atribuirão professores responsáveis;
  3. definidas as disciplinas e os professores responsáveis, caberá aos estudantes providenciar sua matrícula nas disciplinas disponíveis para o seu período ou seu grau de integralização curricular;
  4. a matrícula em disciplinas do período especial é opcional;
  5. as matrículas efetuadas em 2020/1, durante o período regular, estão preservadas, independentemente das ofertas dos departamentos ou das escolhas dos estudantes durante o período especial;
  6. as aulas terão início entre 13/07 e 14/08 e se encerrarão, no máximo, 26/09 (cursos semestrais) e 14/11 (cursos anuais);
  7. as ofertas e as matrículas, no entanto, não poderão ser realizadas a qualquer momento;
  8. as ofertas serão realizadas em três períodos distintos:  29/06-03/07, 13-17/07 e 27-31/07;
  9. as matrículas serão realizadas, igualmente, em três períodos: 04-08/07, 18-22/07 e 01-05/08;
  10. por fim, para cada um desse ciclos de oferta e matrícula, haverá um período para o início das aulas: 13-24/07, 27/07-07/08 e 10-14/08;
  11. o número de disciplinas obrigatórias a serem ofertadas durante o período especial é livre, mas os estudantes deverão se matricular num número limitado de disciplinas;
  12. o limite é definido pela carga horária das disciplinas;
  13. os limites são 180h (para cursos de 15 semanas), 216h (para os cursos de 18 semanas),  240h (para os cursos de 20 semanas) e 360h (para os cursos anuais e para o curso de Medicina, Campus Toledo);
  14. não há restrição de carga horária para matrículas em disciplinas optativas, estágio TCC;
  15. todavia, ainda se deve observar a carga horária máxima semestral para a matrícula determinada para cada curso;
  16. na oferta emergencial de forma remota, será indispensável adaptar o plano de ensino das disciplinas a esse formato, de tal modo que os planos de ensino deverão constar os meios pelos quais ocorrerão as interações entre professores e alunos, notadamente ambientes virtuais de aprendizagem (AVA);
  17. os estudantes deverão poder conhecer com antecipação os planos de ensino das disciplinas, para melhor decidir se terão condições de cumprir as estratégias de ensino-aprendizagem escolhidas pelo professor;
  18. estudantes que não dispõem de computador ou celular ou não dispõem de conexão de internet de boa qualidade para acompanhar as aulas e demais atividades didáticas, devem procurar a PRAE e se informar sobre os programas de inclusão digital para estudantes;
  19. estudantes que precisam de apoio psicológico em face do estresse gerado pelo momento que atravessamos, devem procurar a UAPS/PRAE e o Programa UFPR ConVida;
  20. estudantes indígenas, quilombolas, migrantes e refugiados humanitários, surdos e surdas, pessoas com deficiência e com transtornos globais de desenvolvimento, poderão contrar com o apoio da SIPAD para obter acompanhamento compatível com suas necessidades específicas;
  21. professores com dificuldade para adequar seus planos de ensino ao formato de ERE, devem procurar o apoio pedagógico da CIPEAD/PROGRAD;
  22. professores que desejam utilizar ambientes virtuais de aprendizagem avalizados pela UFPR, devem dar preferência à UFPR Virtual e ao Teams (Office 365), mantidos respectivamente pela CIPEAD/PROGRAD e AGTIC;
  23. professores que demandem acesso a acervos digitais para suplementação e qualificação da bibliografia das suas disciplinas, podem contar com o Atendimento BibTech mantido pelo SiBi;
  24. professores interessados em contar com o apoio de monitores para adequação e realização de seus planos de ensino, podem submeter suas solicitações ao programa de monitoria digital mantido pela COAFE/PROGRAD.

Por fim, é importante ainda observar que o retorno às aulas nesse formato, nessas circunstâncias e, sobretudo, neste contexto, é uma decisão que atende a metas muito ambiciosas, impossíveis de serem confundidas com qualquer projeto pedagógico institucional estranho à história da UFPR. Manter a universidade atuante e relevante neste momento de grandes desafios é algo que todos concordamos ser da mais alta importância. Adequar práticas institucionalizadas para nos mantermos vinculados aos nossos alunos e para, inversamente, manter nossos alunos vinculados aos seus professores tampouco pode ser considerado algo de menor importância para uma universidade com mais 30 mil estudantes e 2,2 mil professores.

Muitos alegam corretamente que o ensino presencial está no DNA da UFPR. Mas é importante acrescentar que também pertencem ao seu código genético – e, com o perdão do trocadilho, ético – nunca se omitir, jamais acovardar-se diante de grandes desafios e da necessidade de permanecer presente e ativa na formação dos seus estudantes, sobretudo quando as condições para isso estão longe de serem as ideais.

O período especial ofertado de modo remoto vai proporcionar à comunidade universitária uma oportunidade de experimentação e aprendizagem cujo valor se estende para além de atender esta ou aquela disciplina ou suprir esta ou aquela exigência legal. Tudo nos leva a crer que o seu legado será muito mais amplo que somente isso.

A curto prazo o ensino remoto emergencial poderá mesmo permitir antecipar o retorno às aulas presenciais, uma vez que fará diminuir a demanda e permitirá destinar mais horários e espaços físicos para atender predominantemente às demandas das disciplinas de natureza prática e incondicionalmente presencial. Com este primeiro passo, estamos agora preparados para tratar também da agenda de retorno às aulas que extrapolam as possibilidades de adequação ao ensino remoto. O que nos move é a determinação da nossa comunidade universitária em tornar perene a presença transformadora da UFPR.

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